ÚLTIMA HORA
Novo protesto termina em tiros
Lino Ramos
De Londrina

O protesto na BR-369 (zona leste de Londrina), ontem, no final da tarde, pela morte do menino Diogo Bueno, 13 anos, resultou numa ação violenta da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM). Várias pessoas, incluindo três repórteres, foram feridos por balas de borracha e golpes de cassetetes.
Parentes da vítima e moradores da Vila Yara fecharam a rodovia nos dois sentidos, por volta das 18 horas, cobrando a presença do prefeito Antonio Belinati (PFL). Eles queriam uma garantia que que algo fosse feito para evitar novos atropelamentos. Cerca de 40 homens da tropa de choque de posicionaram em frente aos manifestantes. Após meio hora de protesto, os bombeiros entraram em ação e apagaram os troncos que haviam sido incendiados com gasolina e colocados na pista.
Os pms aproveitaram a distração dos manifestantes com a presença dos bombeiros e avançaram na área delimintada para o protesto. Começaram as acusações de que a polícia havia empurrado crianças e mulheres. Em meio à discussão, algumas pedras foram arremesadas sobre os policiais. Por volta das 19 horas, a tropa de choque avançou jogando bombas de efeito moral e atirando balas de borracha. O tumulto foi generalizado e resultou em vários feridos.
O repórter Fábio Silveira, do Jornal de Londrina, levou três tiros (dois na perna e um na testa), o que resultou em cortes na testa. O cinegrafista Andelson moro, da TV Londrina, fez imagens do policial que atirou no repórter. ‘‘Ele atirou a cerca de quatro metros e o Fábio deu uma cambaleada’’, contou.
Um iluminador da TV Londrina levou um tiro nas nádegas. A repórter Keila Lima, da TV Coroados, foi atingida na perna. Várias pessoas também ficaram feridas com bombas e golpes de cassetetes. O capitão Salmen Vieira da Silva, que estava no comando, autorizou a prisão de um menor dizendo que ele havia atingido o repórter a pedradas. Uma pessoa que teria visto a cena foi retirada do local por dois policiais. Procurado pela Folha, o homem, que se identificou apenas como Joaquim, negou que tivesse visto o menor acertando Silveira. Mais tarde, o capitão disse que Joaquim reconheceu que estava brincando.
O capitao Salmen justificou a ação da PM dizendo que foi uma reação às pedradas. ‘‘Não precisava acontecer nada disto se a manifestação tivesse sido pacífica’’, afirmou. Segundo ele, os repórteres foram atingidos porque estavam no meio do tumulto. Ele nega ainda que os policiais tivessem perdido o controle da situação.
A moradora Ivanilda Simões, 29 anos, disse que a PM atirou para todos os lados. O pai do menino, que preferiu não dizer o nome, observou que ‘‘nunca há polícia para ajudar atravessar a rua, mas para bater na pessoas vem’’. ‘‘Por que não vão atrás dos assassinos?’’, gritavam alguns manifestantes. Às 19h45, a pista foi liberada, mas o clima continuava tenso.
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