Novo prédio, velhos problemas
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terça-feira, 29 de abril de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Recém-instalado na nova sede, o Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina já está com problemas em sua estrutura. O prédio, um barracão de 975 metros quadrados, localizado na Rua Araçatuba (zona oeste), foi locado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, por cinco anos, para abrigar o instituto, já que a antiga localização, junto à 10Subdivisão Policial (área central), não oferecia mais condições de trabalho. Depois de passar por reformas, que custaram R$ 65 mil, a sede foi inaugurada no dia 27 de dezembro. Porém, desde aquela data, vem funcionando de forma precária, sem iluminação e ventilação adequadas.
O legista-chefe, Gabriel Fernandes Neto, está insatisfeito com as condições e até pediu ajuda aos prefeitos integrantes da Associação dos Municípios do Medio-Paranapanema (Amepar). Hoje, o engenheiro da associação, Gilson Luiz Correia, deve fazer vistoria para avaliar o prédio. ''O que incomoda é o calor, a área de ventilação é pequena. Além disso, a iluminação é precária'', enumerou. Para ele, a escolha do local foi totalmente ''inadequado'', observou Fernandes. Segundo ele, não é só a parte estrutural que está deficitária: o equipamento de raio-X um dos motivos da mudança do antigo prédio continua parado por falta de peças.
Quando é necessário utilizar o serviço, Fernandes é obrigado fazer o pedido ao Hospital Universitário (HU). ''Mas nem sempre é possível. Não podemos entrar com um corpo em óbito no HU a qualquer hora'', justificou. Segundo ele, isso dificulta o andamento dos trabalhos, principalmente quando os corpos foram vítimas de arma de fogo. Outro problema é com a geladeira, que está funcionando, mas vaza água e precisa de manutenção.
Além disso, 70% dos funcionários do IML são comissionados ou tercerizados. Entre eles, está o único motorista do rabecão que, sozinho, é responsável por atender às necessidades do órgão 24 horas por dia. Fernandes informou que já solicitou à Secretaria Estadual de Segurança Pública a contratação de dois motoristas e a viabilização de mais um carro.
O ex-chefe do órgão, Ademar Consalter, informou que as falhas no prédio foram detectadas ainda no meio da reforma do local mas que, por falta de verbas, não puderam ser solucionadas. ''Pedimos reforço de caixa de R$ 13 mil mas não foi liberado'', contou. Segundo ele, a escolha do local foi feita em consenso com várias pessoas do instituto, inclusive o atual chefe. Ele disse que o órgão não tem condições de realizar grandes reformas de uma vez. ''O IML é como um pobre que compra um fusquinha e depois vai arrumando aos poucos porque não tem dinheiro. Mudamos para lá porque era necessário um espaço maior'', justificou.
O vice-diretor do IML de Curitiba, Alexandre Gebran, salientou que foi feito um relatório de todos os IMLs do Estado e que a situação é ''caótica''. ''Em Londrina nenhum computador tem condições de funcionar por causa do calor'', observou. Ele apontou que o atual Governo prometeu solucionar a situação o mais rápido possível e que a verba necessária será liberada. ''Para Londrina eu acredito que entre R$ 50 e R$ 80 mil sejam suficientes. Teremos que mudar todo o telhado para adequar a temperatura. Será feita também uma readequação de funcionários'', informou.


