Com vasão de 300 litros/segundo e com profundidade de 523 metros, o poço de água perfurado pela Sanepar em uma propriedade rural na estrada do Limoeiro (zona sul de Londrina) está sendo considerado como um dos maiores da América Latina. O trabalho de perfuração começou há cerca de quatro meses e ontem, em visita ao local, dirigentes da empresa informaram que mais poços deverão ser perfurados na região. A água, que jorra com pressão natural a mais de dez metros da superfície e com temperatura de 36 graus, deve ser viabilizada para consumo em dois anos. A perfuração teve custo aproximado de R$ 350 mil e foi realizada pela empresa paulista Hidrogeologia, Sondagens e Perfurações Ltda de São Paulo (Hidrogesp).
A água é proveniente do aquífero Guarani (antigamente denominado ''Botucatu''), que tem formação rochosa de arenito resquício de solo desértico existente há mais de 135 milhões de anos. ''A água é de boa qualidade, praticamente mineral'', comentou o gerente da unidade de hidrogeologia da empresa, João Horácio Pereira. O geólogo Marcos Guarda, responsável pela pesquisa do solo da região, explicou que teve como base de análise fotos aéreas, de satélites e estudos geofísicos para determinar o local exato da perfuração. ''Foi um trabalho de pesquisa de mais de um ano e estamos satisfeitos com os resultados; não esperávamos que a vasão de água fosse tão grande'', afirmou.
Com esse poço, a Sanepar amplia em 15% seu potencial de captação de água para região de Londrina e Cambé. Hoje a oferta é de 160 milhões de litros/dia, captados dos rios Tibagi e Cafezal, de nove poços de pequeno porte nas áreas urbana e rural da cidade. Esses poços são mais superficias e provenientes do aquífero Serra Geral (de formação basáltica).
O presidente da empresa, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, estimou que novos poços deverão ser perfurados na região, sem, no entanto, precisar a quantidade e custo, e destacou que esse tipo de captação de água deverá baratear o custo final do produto. ''O consumidor vai ser beneficiado porque a água proveniente de poços precisa de menos tratamento químico, que é responsável por cerca de 20% a 30% do preço final do produto'', disse. O preço do metro cúbico de água praticado pela Sanepar é de R$ 1,20.
O diretor de novos negócios da empresa, Lauro Klas, disse que a próxima etapa é implementar as pesquisas para perfuração de novos poços e viabilizar recursos para a construção de reservatório de água e estação de bombeamento, além da implantação de malha de tubulações na região.

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