Josoé de CarvalhoDa pista para o salãoJulião: ‘Nunca imaginei que pudesse receber o convite, porque a tradição do Momo é ser meio obeso’ Londrina já tem seu rei Momo. O nome dele é Júlio César Henriques Augusto, 22 anos, 1,85 metro de altura distribuídos em 114 quilos. Ou simplesmente Julião, como costuma ser chamado. Mas, apesar do peso e da alegria, esse rei Momo é diferente daqueles a que os brasileiros estão habituados.
O primeiro detalhe, que difere Julião dos colegas de corte, está na barriga. Ou na ausência dela: o que faltou na região abdominal foi parar nos braços do nosso rei. Julião, acreditem, é atleta, bicampeão brasileiro de arremesso de peso nas temporadas 92/93, além de títulos em diversos campeonatos por todo País. ‘‘Tudo o que eu poderia ganhar no Brasil eu já ganhei’’, afirma o jovem atleta e aprendiz de folião.
Como bom competidor, Julião não fuma nem bebe. ‘‘Nunca imaginei que pudesse receber esse convite, porque a tradição do rei Momo é ser meio obeso. A pessoa atleta é diferente’’, admite. Mas esse perfil, segundo ele, está longe de um folião ‘‘careta’’: nos quatro dias de Carnaval, ele promete passar por todos os clubes da Cidade, pelo desfile de rua e pular onde houver animação.
Antes da folia, porém, Julião cumpre hoje um compromisso importante: recebe das mãos do prefeito Antonio Belinati a ‘‘chave’’ da Cidade. A cerimônia será realizada às 16 horas, no salão nobre da Prefeitura.
Julião foi chamado para ser rei Momo meio às pressas, segundo ele conta. ‘‘Um amigo meu, que trabalha na Codel, me chamou. Mas no início eu achei que fosse brincadeira. Só ontem (anteontem) eu me liguei que era verdade. Mas felizmente deu tudo certo: quando não é no esporte é no samba’’, brinca.
Para a mãe de Julião, dona Mariza Henriques Augusto, a escolha do filho para ser o rei Momo do Carnaval londrinense é mais um motivo para se orgulhar do filho. ‘‘Ele sempre foi meu orgulho. Um atleta exemplar, não bebe, não fuma, não tem vício nenhum, nunca ficou doente. Ele sempre superou tudo isso’’, diz a mãe. ‘‘E eu gosto de Carnaval. É uma coisa que esquenta o sangue e por isso eu quero acompanhá-lo.’’
Julião conta que começou a praticar esporte aos 13 anos, e por isso ainda fica mais à vontade numa pista de atletismo do que numa pista de dança. ‘‘Só que antigamente eu arremessava peso e disco. Agora é peso e martelo’’, observa. A dedicação e o talento trouxeram títulos brasileiros, nas mais diversas competições e a considerável marca de 15,8 metros no arremesso do peso (que tem 7,270 quilos), uma das melhores do País.
A dedicação ao esporte, no entanto, tem esbarrado num problema comum para a maioria dos atletas brasileiros: a falta de patrocínio. ‘‘Se continuar assim eu estou fora’’, sentencia. Por isso, ele tem outro grande projeto para 97, além das competições e da folia: pretende concorrer a uma vaga para o curso de Odontologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Se não der certo no esporte, vou ser dentista.’’ Mas uma coisa ele promete: não abandonar jamais o Carnaval.

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