A Secretaria de Estado de Educação não vai liberar escolas estaduais para a realização do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A determinação é da secretária Alcione Salyba. O impasse deixa 9.045 vestibulandos sem locais onde fazer as provas do concurso, que acontece de 29 de abril a 3 de maio. A definição de locais de provas para o vestibular da UEL, que já estava complicada depois da desistência da Universidade Norte do Paraná (Unopar), se agrava.
De acordo com a secretária, que se intitulou ‘‘guardi㒒 dos interesses dos alunos, a justificativa para não ceder as salas de 12 escolas estaduais é o prejuízo para o ano letivo no ensino básico. Segundo ela, uma semana das férias de julho teria que ser suspensa para repor os quatro dias sem aulas e completar o calendário de 200 dias letivos. ‘‘Estou apenas cumprindo a função de zelar pelo cumprimento do calendário escolar. Seria um desrespeito cancelar uma semana das férias de julho dos professores sem consultá-los.’’
Alcione ainda fez questão de afirmar que está se ‘‘colocando à disposição para contribuir da maneira que for possível’’ para resolver o impasse. E sugeriu até a realização do vestibular num estádio ou em clubes de Londrina. ‘‘Pode ser o Papa, mas a gente não prejudica as crianças para atender a outros interesses’’, afirmou.
Para o reitor da UEL, Pedro Gordan, o governo tem obrigação de ceder as escolas para o vestibular, já que tem ‘‘co-responsabilidade’’ nos seis meses de greve de professores e servidores, o que causou o atraso do processo seletivo. ‘‘Eu entendo o prejuízo, mas o vestibular também não está sendo realizado em situação normal’’, afirmou. ‘‘A universidade está saindo de grandes dificuldades e faz parte do seu reerguimento moral oferecer um vestibular tranquilo e com toda segurança.’’
Gordan observou que recebeu ofertas de outros espaços privados para a realização de provas. ‘‘Temos que entender que o vestibular é um processo acadêmico e o ideal é que seja feito em ambiente escolar. Não podemos deixar os vestibulandos sujeitos a intempéries, como na sugestão da secretária, de fazer a prova no Estádio do Caf钒, disse. Ele garantiu que a UEL não vai adiar seu vestibular.
Estão confirmados quatro locais para o vestibular - a própria UEL, onde 6.960 alunos fazem as provas; Colégio Universitário, com 1,5 mil vestibulandos; e o Colégio Municipal Maria José Aguilera, com 480 vestibulandos. A UEL paga R$ 0,50 por aluno por dia para as escolas que cedem as salas.
No final da tarde, Alcione sugeriu, através da Agência Estadual de Notícias, que o vestibular seja realizado em julho. A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou, ontem, requerimento pedindo à secretária que disponibilize as salas de aula. Outro requerimento sugere à UEL a mudança do concurso para os dias 3,4, 5 e 6 de maio.

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