Novo horário
é ignorado
pelos bancos
Nenhuma agência respeita a lei municipal
Osmani Costa

César Augusto
Tudo na mesmaAgência central do Banco do Brasil em Londrina, ontem à tarde: atendimento ao público continua sendo feito em horário reduzido Os 28 bancos que operam em Londrina não levaram em consideração a nova lei municipal sobre horário mínimo de funcionamento, que entrou em vigor no dia 7, e prosseguem abrindo suas 54 agências das 11 às 16 horas, de acordo com o horário estabelecido por eles próprios.
Segundo a nova lei, de autoria do Executivo municipal e aprovada por unanimidade pelos 21 vereadores, as agências bancárias deveriam funcionar pelo menos das 10 às 16 horas. Este era o antigo horário de funcionamento dos bancos na Cidade, que vigorou até abril do ano passado. No início de maio de 97, os bancos resolveram diminuir o atendimento diário em uma hora, alegando diminuição do movimento. Também disseram que a concentração no horário resultaria em melhorias no atendimento aos usuários.
O superintendente regional do Banco do Brasil (BB), Altino Ramos Costa, disse na tarde de ontem - exatamente uma semana após a entrada da nova lei em vigor - que ainda não sabe nada sobre ela, porque não recebeu comunicado oficial da prefeitura. ‘‘Quando tivermos o texto da nova lei na íntegra, vamos submetê-lo à análise de nosso Departamento Jurídico, para sabermos da necessidade de tomar ou não providências.’’
Ele adiantou, no entanto, que apesar de ‘‘não entender nada de leis’’, considera difícil que a nova legislação municipal tenha o poder de obrigar os bancos a funcionar das 10 às 16 horas. ‘‘O atual horário de funcionamento foi um acordo entre todos os bancos que operam na praça de Londrina, de acordo com as normas regulamentadoras do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da autonomia que o setor tem para decidir sobre o assunto’’, diz o superintendente do BB.
Segundo Altino Costa, o horário mínimo diário de funcionamento das agências bancárias imposto pela regulamentação do CMN é das 12 às 15 horas. ‘‘Esta é uma norma federal, que está sendo respeitada em Londrina. Fora deste período, os bancos têm autonomia para abrir suas agências pelo número de horas a mais que considerarem necessário. Aqui, as agências funcionam duas horas diárias além do mínimo exigido. Para mudar isso, só alguma determinação federal, vinda do CMN.’’
O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva, diz considerar o atual horário de atendimento ‘‘escandaloso’’. Mas ele acha difícil que os bancos acatem a nova lei municipal. ‘‘Os bancos não respeitam os seus clientes, usuários e funcionários. Eles se aproveitam de brechas nas leis federais para funcionar no horário que interessa apenas ao aumento do lucro deles.’’
De acordo com o sindicalista, os bancos - que empregam 1.500 pessoas - já demitiram mais de cem bancários neste ano de funcionamento das agências com horário reduzido. ‘‘Eles mudaram o horário prometendo melhor atendimento, fim das demissões de bancários e fim das filas. Nada foi cumprido. Os bancos mentiram, enganaram nossa categoria e os usuários. Hoje, as filas ocorrem todos os dias. Na verdade, eles não têm interesse em atender melhor e por mais tempo.’’

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