Paulo WolfgangComunicadoCEF: um dos poucos bancos que colocou um aviso na portaAlém das longas filas, comuns nos dias 10 de cada mês, as agências bancárias do centro de Londrina estarão agitadas hoje por um outro motivo: diretores do Sindicato dos Bancários vão distribuir panfletos aos clientes e protestar contra a redução de uma hora no período de atendimento, que entra em vigor no dia 5 de maio. Atualmente, as agências funcionam das 10 às 16 horas. A partir do próximo mês, elas passarão a abrir das 11 às 16 horas.
Os diretores do sindicato - que é ligado à Central Única dos trabalhadores (CUT) - afirmam que esta redução no horário de atendimento vai piorar a qualidade dos serviços prestados aos clientes e gerar novas demissões de bancários. Segundo o diretor financeiro da entidade, Paulo Lima, esta redução foi autorizada e até mesmo sugerida pelo Banco Central (BC), em julho do ano passado, quando da liberação das tarifas bancárias. A norma do BC deixa a cargo dos bancos a definição do horário em que vão funcionar em cada cidade, desde que seja garantida a abertura mínima das agências das 12 às 15 horas.
‘‘Isto é um absurdo, um desrespeito aos clientes e usuários dos bancos. As consequências desta redução serão o aumento das filas, já quilométricas, a piora no atendimento, piores condições de trabalho e ameaça de demissão para os bancários’’, comenta Paulo Lima. Ele prevê que pelo menos 10% dos 2.200 bancários de Londrina podem perder seus empregos até o final deste ano. Segundo Lima, a categoria já contou com cerca de 5 mil bancários na Cidade, há dez anos.
Em Londrina, funcionam 62 agências e 52 postos bancários, de 27 diferentes bancos. Até ontem, poucos - como a Caixa Econômica Federal, através de um pequeno cartaz na porta - haviam informado seus clientes e usuários sobre a mudança no horário de abertura. Todos os usuários ouvidos pela reportagem da Folha são contra a redução no atendimento de seis para cinco horas diárias. Eles reclamam basicamente do tempo de espera perdido nas filas e de que ‘‘os banqueiros só pensam no lucro e nunca em melhorar os serviços’’.
Paulo WolfgangFuturo incertoPaulo Lima: ‘10% dos bancários podem perder o emprego’
O superintendente regional do Banco do Brasil (BB), Altino Ramos, admite que coordenou, a pedido dos gerentes dos outros bancos que operam na Cidade, o processo para a mudança no horário de atendimento. Na opinião dele, esta mudança segue uma tendência nacional, é definitiva e não vai prejudicar o atendimento aos clientes. ‘‘Pelo contrário, neste novo horário os bancos poderão contar com mais bancários nos caixas durante todo o expediente, porque não haverá mais aquele rodízio de almoço. Isto garantirá um melhor atendimento e menores filas nas agências’’, afirma Ramos.
De acordo com ele, a redução no horário dos bancos foi uma imposição do mercado e consenso entre os gerentes bancários de Londrina, que têm autonomia legal para deliberar sobre a questão. ‘‘Os clientes e usuários de bancos não devem se preocupar com esta mudança. Ela em nada vai atrapalhar a vida deles. Nossa intenção é concentrar o atendimento, com força total nos caixas, durante as cinco horas de funcionamento das agências’’, explica o superintendente.
Desconfiados da verdadeira intenção dos bancos, os diretores do Sindicato dos Bancários estarão, a partir de hoje, solicitando adesão dos clientes a um abaixo-assinado, que será enviado à Federação Brasileira dos Bancos na tentativa de se evitar a redução no atendimento. Hoje à tarde, os bancários estarão na sessão da Câmara Municipal explicando a situação aos vereadores e pedindo o apoio deles ao movimento contrário à mudança.

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