Novo golpe nas ruas: o da mulher grávida
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Com vontade de ajudar, a estudante Rita de Cássia Pires, o pai, a cunhada, a amiga e o porteiro do prédio dela quase caíram em um golpe que já começa a colecionar vítimas em Londrina: o da mulher grávida. A história é protagonizada por um rapaz moreno, magro, alto, com aparência humilde, que aborda as pessoas na rua - geralmente na Região Central, em horários variados - e conta que a esposa está em trabalho de parto e não tem como levá-la ao hospital. ''Na hora a gente fica assustada, porque ele representa muito bem. Fala que a ambulância vai demorar 30 minutos para poder pegá-la e pede qualquer ajuda''.
Ela só não chamou o namorado para socorrer o ''futuro papai'' porque o porteiro a levou para dentro do prédio. ''Como ele já tinha caído, me avisou. Mas se não fosse isso eu teria feito alguma coisa''. O pai dela, Célio Luiz Pires, chegou a se oferecer para levá-lo de carro. Para representar melhor, o rapaz chegou a pedir um pedaço de papelão para forrar o veículo. ''Por sorte minha mãe falou que ia junto e ele desistiu. Disse que o táxi já estava chegando para levá-los''.
Rita acredita que o interesse dele era ficar sozinho com o pai para, de repente, ameaçá-lo com uma faca em troca de dinheiro. ''Ele não parecia agressivo e nem armado, porque estava trajando uma roupa bem simples, mas pode ser que tivesse uma faca''.
Com a amiga de Rita, Mariana Moura, foi diferente. O golpista interfonou às 3 horas contando o seu ''dilema''. ''Minha mãe ficou desesperada. Quase foi ajudar. Depois ela descobriu que ele já tinha interfonado em outros apartamentos'', revelou.
Segundo relatos de outras vítimas, o mesmo homem usa variantes desse golpe. Às vezes, ele diz que a filha pequena recebeu alta no hospital e que não tem dinheiro para ir buscá-la; ou que a mãe faleceu em um município próximo e que ele precisa de ajuda para comprar a passagem.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Nelson Águila, afirmou desconhecer o golpe, mas diz que essas tentativas são comuns. ''Em todas as cidades brasileiras acontece isso. São sempre situações em que o golpista primeiro cativa a vítima e - em alguns casos - trabalha com a ganância dela. São os casos dos golpes dos bilhetes e dos araras.''
O primeiro acontece quando dois golpistas fingem não se conhecer e um deles ajuda o outro a conseguir um valor - com a vítima - através da comercialização de um suposto bilhete premiado. Já o golpe dos araras acontece quando uma empresa se estabelece no município, funciona até conquistar a confiança dos fornecedores e, da noite para o dia, fecha sem deixar paradeiro do proprietário, levando os produtos que ainda nem foram pagos . ''Para o golpe do bilhete já existem muitas variações, até porque as pessoas já conhecem. Mas aí os estelionatários usam carnês, documentos de herança, e até cheques'', relata.
O relações públicas do 5º Batalhão de Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, também desconhece o golpe da mulher grávida, mas orienta: ''Antes de dar dinheiro, consulte entidades do município ou mesmo a polícia, porque assim evita ser enganado''. Águila sugere que a pessoa faça registro de boletim de ocorrência e, percebendo se tratar de um golpe, acione a polícia através dos telefones de denúncia 190 e 197.


