Diagnósticos de morte encefálica (para doação de órgãos) vão ficar mais rápidos e seguros em Londrina, graças a um aparelho chamado ecodoppler transcraniano. O equipamento foi cedido pela Secretaria de Estado da Saúde à Central de Transplante, que deve começar a utilizá-lo assim que os médicos designados para os exames terminarem o treinamento, provavelmente este ano ainda.
  Dois neurologistas voluntários estão participando do treinamento. Os nomes foram sugeridos pelos próprios hospitais da cidade credenciados para a captação de órgãos. A primeira etapa da capacitação foi no Hospital do Trabalhador, em Curitiba e, a segunda consiste em um determinado número de exames que passam por um acompanhamento supervisionado. A previsão é que dentro de 30 a 60 dias os exames já comecem a ser feitos na cidade e região.
  Segundo a coordenadora da Central de Transplante, Evanira Chiquetti, o equipamento – que custou R$ 50 mil – vai facilitar, principalmente, a agilidade no resultado. ‘‘É importante lembrar que os exames que ainda são feitos, como artereografia e eletroencéfalograma, são totalmente confiáveis e dentro da resolução do Conselho Federal de Medicina. Não deixam dúvida alguma quanto ao diagnóstico final’’, destacou.
  Para ela, a grande vantagem do exame adicional é a rapidez do diagnóstico, já que a Central de Transplante precisa trabalhar no menor tempo possível. ‘‘O diagnóstico rápido evita que os órgãos entrem em falência. Perdíamos potenciais doadores em função disso. Devemos levar em consideração também a fragilidade do doador. Como o ecodoppler pode ser levado até o leito, não há qualquer tipo de implicação’’, afirmou.
  O ecodoppler transcraniano é um tipo de exame que utiliza ultra-som para avaliar o fluxo sanguíneo dos vasos dentro da caixa craniana. ‘‘O ecodoppler é um dos exames complementares para a constatação de morte encefálica, sendo mais prático e fácil, além de ser um exame de baixo custo’’, explicou o neurologista Sérgio Georgeto, um dos médicos que recebe treinamento para operar o aparelho.
  De acordo com ele, a principal vantagem é que o equipamento é portátil e assim, vai poder ser utilizado também em hospitais da região que tenham doadores suspeitos de morte encefálica.
  Em Londrina, 781 pessoas estão na fila de espera por algum órgão. Na cidade, são realizados transplantes de córnea, rim, ossos e coração. Segundo Evanira, este ano foram abertos 70 protocolos de morte encefálica, mas apenas 20 resultaram em doações. Destes, cinco foram de múltiplos órgãos. Um doador pode ajudar até 25 pessoas, se autorizar a captação dos ossos, e até oito pessoas se a doação for de córneas, coração, rins, pâncreas, fígado e pele.
  No município, são três hospitais autorizados a realizar o procedimento: Santa Casa de Londrina, Hospital Universitário (HU) e Hospital Evangélico. A Central de Transplante de Londrina completa onze anos de existência em dezembro.

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