Novo derrame de óleo polui o Iguaçu
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sexta-feira, 08 de setembro de 2000
Emerson Cervi e Michele Muller De Curitiba 
Um vazamento de cerca de 5 mil litros de CM-30 (derivado de petróleo usado em obras de asfaltamento) está poluindo dois dos principais rios que cortam Curitiba o Belém e o Iguaçu. A empresa responsável pelo acidente, Terpasul Construtora de Obras, recebeu uma multa de R$ 1 milhão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ainda pode ser multada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMA).
Esse foi o segundo acidente ambiental envolvendo derivados de petróleo em menos de dois meses na região. Em 16 de julho, 4 milhões de litros de óleo cru vazaram da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, atingindo os rios Barigui e Iguaçu.
O vazamento ocorreu no final da tarde de quarta-feira e atingiu inicialmente o Rio Belém, por um cano de escoamento. O produto estava estocado havia duas semanas em um tanque no pátio da Terpasul, no bairro Boqueirão, região sul de Curitiba. Crianças que brincavam próximo ao Belém perceberam as manchas de óleo e avisaram a polícia.
Técnicos do IAP, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Defesa Civil do Estado trabalharam durante toda a madrugada de quinta-feira tentando conter o avanço do óleo. Mas, no final da manhã de ontem, as manchas já haviam chegado ao Iguaçu. Implantamos barreiras de contenção no Parque Iguaçu para reduzir os danos à flora e fauna, informou o coordenador da operação, Major Gonçalves. O CM-30 é usado em camadas finas entre a base e a capa asfáltica.
O diretor da Terpasul, João Hiroshi Watanabe, acredita que o vazamento tenha sido provocado por sabotagem. Trabalhamos com esse produto há 20 anos e nunca havia acontecido um problema como esse, disse.
As entidades ambientalistas calcularam que a quantidade de óleo derramado chegou a 5 mil litros, mas Watanabe contestou esse valor. Ele disse que havia cerca de 2,5 mil litros de CM-30 no tanque, cuja capacidade é para 15 mil litros. O óleo saiu pela válvula de entrada e não existe nenhuma perfuração no tanque. Ele que afirmou os danos ambientais devem ser pequenos, já que o produto é usado em obras que ficam em contato direto com o meio ambiente.
A empresa foi interditada pelo IAP e só poderá voltar a trabalhar depois que apresentar as licenças ambientais para estocagem de derivados de petróleo. O presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, disse que ainda é cedo para apontar os danos ecológicos que o acidente pode provocar. De acordo com ele, os impactos só poderão ser avaliados depois de um estudo da fauna, flora e solo do local atingido. Uma amostra do produto derramado já está sendo analisada por técnicos do IAP.
Com baso nos futuros laudos, o IAP pode aplicar novas multas à empresa. Até ontem, a Secretaria de Meio Ambiente ainda não havia definido o valor da pena. Antes disso, precisamos de informações sobre as licenças que o empresário possui e, antes de voltar ao trabalho, ele terá que adotar algumas medidas preventivas, explicou Sandra Lenzi, da Comissão de Segurança e Edificação de Imóveis (Cosede), órgão da Prefeitura de Curitiba.


