O novo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Gilson Garret Algauer, assume o posto hoje com ‘‘disposição para trabalhar’’, segundo afirmou ontem à Folha. Com ele, assume também o novo delegado-adjunto José Eduardo Carrula. A troca de comando será realizada às 16 horas, na sede da 10ª SDP, com a presença do delegado-chefe da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro. O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, não estará presente.
A 10ª SDP é responsável por 20 municípios, além de Londrina. Garret substitui Wanderci Corral Fernandes, que após sair do cargo entrará em férias. O novo delegado disse que já tem uma idéia de como vai encontrar a situação em Londrina mas que pretende conferir in loco antes de tomar providências. ‘‘Eu tenho um panorama geral da situação e sei que as coisas não andam boas há algum tempo. Mas quero me interar completamente dos problemas e isso só vai ser possível quando estiver aí, tomando pé das coisas’’, explicou.
Segundo ele, porém, uma reestruturação – ‘‘de dentro para fora’’ – na Polícia Civil da região não está descartada. ‘‘Não espere que eu chegue à cidade dando pauladas. Hoje a polícia é feita mais com inteligência do que com a força. Mas vou exigir competência, eficiência e honestidade. Quem se enquadrar nisso, vai se dar bem comigo. Quem não se enquadrar, não está descartado um remanejamento ou até substituição’’, afirmou.
O novo delegado-chefe explicou que sabe das carências em termos de efetivo que a Polícia enfrenta na cidade, mas isso, segundo ele, pode ser contornado. ‘‘Esta é uma crise em nível estadual, não é só de Londrina. Mas acredito que a criatividade é uma grande arma para suprir as carências e pretendo usá-la bem’’, disse. Segundo ele, a princípio estão descartadas a vinda de novos investigadores para a cidade. ‘‘Por enquanto, não está programado. Mas vamos ver o que temos aí, estudar as necessidades da cidade. Quero saber quem está sendo empregado em que função e quais são as necessidades’’, explicou.
Questionado sobre o momento em que assume a 10ª SDP, com um dos mais altos índices de homicídios, furtos e assaltos na cidade em todos os tempos, Garret afirmou que pretende priorizar o combate ao crime. ‘‘O crime precisa ser prevenido. E esta vai ser minha prioridade. Vou buscar um entrosamento perfeito da Polícia Civil com a Polícia Militar e, juntos, tenho certeza que vamos reduzir estes números’’, afirmou. Somente este mês, foram registrados oito homicídios e duas tentativas de homicídio na cidade. No último final de semana, o número de furtos registrados em Londrina chegou a 43.
Para ele, somente a integração entre as duas polícias pode fazer frente à crise na segurança. ‘‘Quero uma polícia única, trabalhando em conjunto para um mesmo objetivo’’, afirmou. Sobre o fato da Civil não ter aceitado o trabalho de investigação da P2 (serviço reservado da Polícia Militar) no passado, Garret garantiu que não vai permitir estrelismos nem corporativismo de seus comandados. ‘‘Se a PM puder disponibilizar homens da P2 para trabalhar a meu lado, vou aceitar com satisfação. É lógico que quem coordenará os trabalhos serão meus delegados, já que a responsabilidade sobre o produto final das investigações, que é o inquérito policial, é nossa. Mas eu não sou estrela e sei que vou precisar de toda ajuda que puder obter’’, disse.
Outro ponto que o novo delegado-chefe pretende restaurar é a ‘‘força’’ do delegado-adjunto, dentro da 10ª SDP, como seu braço direito. ‘‘Quero acabar com a história de que o superintendente é o homem-forte da delegacia. Em Londrina, ele vai ter sua função sim, mas não quero mais que extrapole. Quem coordenará os trabalhos sou eu e o adjunto e, na sequência, os delegados’’, garantiu. Segundo Garret, a grande afinidade entre ele e Carrulo deve facilitar sua proposta. ‘‘Eu já trabalhei com o meu adjunto, fomos inclusive colegas de curso e acho que poderemos fazer um bom trabalho’’, adiantou.
Segundo o novo delegado-chefe, uma exigência sua para assumir o posto em Londrina foi a liberdade de ação. Com isto, ele manda um recado a quem possa interessar: ‘‘Eu admito auxílio, parcerias. Quem quiser me ajudar vai ser bem recebido. Mas não vou permitir interferências e irregularidades’’, antecipou.

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