O novo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) em Londrina, major Marcos de Castro Palma em Londrina, assume o cargo na manhã de hoje e deve se deparar com desafios sérios, como a falta crônica de efetivo, viaturas quebradas, policiais estressados e uma população ressentida com a falta de segurança. Somente em relação à frota por exemplo, a Folha apurou que pelo menos 22 veículos estão parados em uma oficina esperando pelo conserto.
Vera Rubbo, uma das líderes do movimento de esposas de PMs que interditou a entrada do batalhão em 2001 pedindo melhores condições de trabalho para seus maridos, lamentou que a situação atual seria ainda pior do que antes. ''Mudança de comando não vai adiantar porque ele não pode fazer milagre'', comentou. Segundo ela, as condições de trabalho atuais são totalmente inadequadas. ''Só tem 13 viaturas funcionando, mais ou menos 770 policiais em serviço quando há cerca de 20 anos eram cerca de mil homens, os salários estão defasados, faltam políticas de incentivo e atendimento médico-psicológico e cursos de aperfeiçoamento; está faltando até mesmo coturno e blusas de frio'', denunciou. ''O que esperamos do novo comando é diálogo, que ele venha não para cobrar e sim para resolver a situação. O policial não aguenta mais um centímetro de opressão'', completou.
Com relação às viaturas, a Folha foi ontem até a oficina autorizada que realiza os consertos e identificou 22 veículos novos como camionetes Frontier, Cangoo e Scénic parados no pátio à espera de liberação de recursos. A assessoria do Comando Maior da PM argumentou que vai apurar a situação para tentar agilizar a liberação das viaturas. A PM não informa o total de efetivo nem o de viaturas alegando questão de segurança.
A falta de condições de trabalho reflete nos serviços à comunidade. Uma família vítima de assalto anteontem à noite no Jardim Presidente (Zona Oeste) afirma que esperou uma equipe da PM por cerca de uma hora. Os policiais teriam alegado que não havia viatura para agilizar o atendimento. Na rua, segundo uma moradora, das cerca de 20 residências apenas duas não teriam sido visitadas por ladrões. ''Já falei para meu marido erguer o muro e colocar portão automático e cerca elétrica porque ele não que ser mudar para apartamento'', comentou.
Segundo estatísticas do 5º BPM, apenas neste mês de maio foram registrados 142 furtos simples, 326 furtos qualificados, 357 roubos, 15 homicídios e 89 lesões corporais, na área de abrangência do batalhão.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, afirmou que ''a situação é preocupante'' e piorou com o afastamento de 24 policiais envolvidos na ação que resultou na morte do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, em 14 de março. O crime provocou também a saída do então comandante, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto. ''É preciso que o novo comandante assuma com o espírito de uma atuação comunitária, trabalhando no sentido de desmilitarizar a tropa, passando a seus subordinados a necessidade de um atendimento mais pacífico e educado à comunidade''.
O comandante Palma chegou no final da tarde de ontem no Batalhão, mas segundo o setor de Relações Públicas da PM ele só falaria com a imprensa hoje pela manhã, durante a solenidade de posse.

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