Novo comando do 5º BPM quer integração com a comunidade
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Célia Guerra<BR>De Londrina 
O tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza assumiu ontem, em Londrina, o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM). A solenidade de posse foi realizada durante a manhã, na sede do Rotary Club e contou com a presença de várias autoridades civis e militares da região e da capital. Ele foi nomeado no último dia 15 para o lugar do coronel Robenson Máximo Fim que assume em Curitiba a chefia do Estado Maior do Comando de Policiamento do Interior.
O novo comandante da Polícia Militar em Londrina irá trabalhar com o mesmo número de policiais. Não há, segundo Guimarães, a previsão de aumento no efetivo da Polícia Militar (PM). O tenente-coronel disse que ainda não teve tempo para traçar planos de trabalho e que isso só será possível quando tiver conhecimento do trabalho no 5º BPM. Ele citou a importância da valorização do policial e o apoio da comunidade na solução dos problemas da segurança na cidade.
O fato da solenidade de posse ter ocorrido fora do quartel, na opinião do comandante Guimarães, é um exemplo da integração com a comunidade pretendida pela PM. Assim, o policiamento da cidade ''se manteve sem a necessidade de tumultos com a tropa'', justificou. O comandante já esteve, por mais de sete anos, à frente da 2 Companhia da Polícia Rodoviária, em Londrina. Atualmente, ele estava no comando do 18º BPM de Cornélio Procópio.
A saída de Máximo Fim do comando do 5º BPM foi marcada por tumultos junto à tropa e o movimento de esposas de policiais. No dia 15 de maio, no Com-Tour, 350 policiais militares viraram as costas para ele, durante uma palestra sobre motivação profissional promovida pelo comandante. No mesmo momento as esposas estavam acampadas na frente do batalhão reivindicando pagamento da gratificação PM Especial.
Apesar do coronel Fim afirmar que a sua saída foi uma promoção, o secretário de Segurança Pública, José Tavares, disse anteontem que o coronel Fim pediu o afastamento. O comandante teria afirmado ao secretário que não havia mais clima para trabalhar em Londrina após a insubordinação dos policiais e o manifesto das esposas de PM.
Ontem, em Londrina, Máximo Fim disse que considera justo a luta das mulheres, mesmo não concordando com a forma de protesto adotada por elas. Ele garantiu que não carregava mágoas do movimento. Durante o discurso de despedida o ex-comandante afirmou que durante os 18 meses que esteve no comando do 5º BPM superou grandes desafios em busca de melhorias na qualidade da segurança. Ele garantiu que deixava a cidade com a certeza do dever cumprido.
Diálogo
A representante do Movimento das Esposas dos Policiais Militares, Vera Lúcia Rubo, disse que o movimento espera que o novo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Rubens Guimarães de Souza, as procure para um diálogo. Elas não enviaram representantes na solenidade de posse, mas acreditam em um contato diferenciado com o comando.
A luta das esposas, segundo Vera é a única forma de expressar as dificuldades enfrentadas pelas famílias pelas condições de trabalho oferecidas aos policiais, além da baixa remuneração. O movimento, afirma, continua em ação mas por enquanto elas decidiram parar com ''o fechamento dos quartéis'', apesar de entenderem o protesto como a única forma de conversa possível de ser mantida com o governo.
O comandante Máximo Fim, na opinião das esposas de PMs, se fechou para o diálogo tratando o movimento com ironia. Ele teria punido muitos policiais pelas ações cometidas pelo movimento. Por isso, elas esperam que o novo comandante seja mais flexível.


