Novo comandante garante operações diárias
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sábado, 15 de setembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
César Vinícius Kogut, 42 anos, é o nome do comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina. Mas quem é esse major, que assume amanhã um cargo marcado pela pouca permanência de seus comandantes?
O homem comum Kogut nasceu em Curitiba, é casado, tem uma filha de 12 anos, adora pescar e lê livros técnicos nas horas vagas. Torcedor do Coritiba, de vez em quando ainda arrisca um futebol com os amigos.
Já o comandante Kogut é conhecido por participar pessoalmente das operações de seu comando. O major ingressou na PM aos 18 anos, no 12º Batalhão em Curitiba. Já passou por Campo Mourão, Maringá, Arapongas e Rolândia. Foi comandante dos batalhões de Paranavaí e Apucarana, último lugar onde atuou antes de vir a Londrina. Formado em Geografia, tem pós-graduação em Marketing, Propaganda e Publicidade e Gestão e Formulação de Políticas Públicas.
Durante entrevista exclusiva à FOLHA, sexta-feira, Kogut apresentou-se descontraído e até brincalhão, acompanhado pelo capitão Samir Elias Geha, que comanda a 4 Companhia Independente, e do subcomandante Júlio Richter Neto. Ao mesmo tempo, demonstrou muita determinação e rigor em suas respostas. Operações policiais diárias, reforço no policiamento de trânsito e um contato maior com a comunidade estão entre as ações que o novo comandante pretende implementar a partir de segunda-feira.
O senhor já conhecia Londrina?
Já tinha visitado a cidade, e tenho uma certa noção de sua geografia. Mas, desde que me mudei para o Norte do Estado, venho acompanhando pela FOLHA e por outros meios de comunicação os problemas de Londrina, que são maiores que os de outras cidades do Paraná em alguns aspectos. Mas os recursos e o aporte que o Estado tem dado para o 5º Batalhão possibilitam um policiamento preventivo eficaz.
Na sua avaliação, qual é o maior problema da cidade em relação à segurança?
A criminalidade deve ser vista como um todo. Vamos agir com prioridade, dos crimes mais graves para os menos graves. Fazer com que a comunidade sinta a polícia. A criminalidade já vem apresentando uma tendência de redução desde os comandos anteriores, e essa tendência vai continuar em decréscimo.
O senhor recebeu algum pedido ou recomendação especial do Secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari?
Na realidade, o governo do Estado quer uma polícia próxima da comunidade, uma polícia operante que traga resultados efetivos para a comunidade. Então a orientação foi essa: muito trabalho, atenção aos projetos de governo e que a Polícia Militar realmente tente atender aos anseios da comunidade.
Quais serão suas prioridades no comando do 5º Batalhão?
Vamos desenvolver com atenção especial os projetos do Governo, como o Povo e a Patrulha Escolar, reforçar o efetivo do trânsito e intensificar as operações com policiais militares, que serão diárias e abrangerão toda a cidade. Vamos atender o geoprocessamento, que nos indica onde a criminalidade está maior, mas atender também onde a população está clamando por segurança. Nesses locais, muitas vezes o crime até não é tão alto como nos outros setores, mas existe a necessidade de a população ter uma melhor segurança. As pessoas têm que ver a polícia. Não só ver, mas serem atendidas por ela. As ações da polícia muitas vezes vão trazer constrangimentos e até algum atraso, mas quero que a população entenda que esses pequenos constrangimentos que possam ocorrer são para o benefício da coletividade, e colabore.
O senhor vai participar dessas operações?
Eu vou estar na rua junto com a tropa. Hoje de manhã (sexta-feira) já tive reunião com os oficiais e a ordem é que assim que a parte burocrática estiver resolvida, os oficiais do Batalhão inteiro vão para a rua. Sem prejuízo, é claro, para a parte administrativa. A idéia é acompanhar o serviço e fazer com que a população sinta mais a presença dos oficiais na rua.
O reforço no policiamento de trânsito vai se concretizar de que forma?
Nossa intenção é não só combater os homicídios dolosos, mas também os conhecidos como culposos do trânsito, que muitas vezes também atingem a população de forma perturbadora. Vamos repassar um certo número de policiais da escola de soldados, atuar nos locais de maior pico de trânsito e índice de acidentes, e verificar os veículos que costumam ser utilizados para o crime, como as motos. Isso significa muito mais blitzen, em todos os horários.
Como vai se dar o relacionamento da PM com a comunidade?
O Batalhão vai estar aberto a toda a comunidade. Toda vez que alguém quiser falar com o comandante, vá ao Batalhão, se eu não estiver lá estará o major Richter, que é o subcomandante, ou os demais componentes. Todas as críticas vindas da população e da imprensa serão bem aceitas e usadas para a melhoria do serviço. Critiquem, que a gente vai responder.
E o seu relacionamento com os policiais militares?
Acredito que os policiais do batalhão são bons, mas aqueles que não estiverem realmente comprometidos com seu trabalho serão remanejados. Estamos pedindo empenho. E muito empenho. Nossa intenção é conversar com o policial diariamente para entender o que ele quer para ajudar a melhorar a segurança e também a própria qualidade de trabalho e de vida. Todos vão ser cobrados, e eu não tenho como cobrar sem dar o exemplo. Além disso, os desvios de conduta não terão proteção, principalmente os dolosos.
O senhor está assumindo um cargo marcado pela pouca permanência de seus comandantes...
A Polícia Militar visa atender aos anseios da comunidade. Nem sempre ela consegue. Eu saí de Apucarana contra a vontade da comunidade. Houve uma resistência, mas para lá foi um oficial competente, e foi necessária a minha presença aqui. Então, muitas vezes a comunidade perde nessa continuidade, mas acaba ganhando no decorrer do tempo com novas formas de administrar. Mas a idéia minha é ficar aqui um bom tempo, e vou trabalhar para que isso aconteça.
Como o senhor avalia a saída do seu antecessor, o tenente-coronel Deliberador?
Sobre isso não vou falar nada. Primeiro porque ele é tenente-coronel, e segundo porque a decisão não cabia a mim. Então, ética e hierarquicamente eu sou proibido de falar sobre isso.
Com a saída de Deliberador, alguns presidentes de conselhos de segurança ameaçaram deixar o cargo...
Vamos conversar com todos os conselhos e todas as associações, ressaltando a responsabilidade de todos e a importância deles na função que exercem não só para a Polícia Militar, mas para a cidade. Peço por favor que continuem na função.
O Batalhão já teve um comandante que morava em outra cidade. O senhor vai se mudar com a família para Londrina?
Já estou procurando uma escola para minha filha e um lugar para morar. A família tem que vir, até porque na hora de folga você tem que ter alguém para te ajudar também. E para atrapalhar de vez em quando (risos).


