Curitiba

Kraw PenasPaciênciaManoela Carneiro passou a tarde de ontem na fila com o namorado. ‘‘A partir do ano que vem o teste será mais rigoroso’’O diretor de Operações do Detran, Eliseu João da Silva, garantiu ontem que o órgão terá condições de atender todas as pessoas que desejam tirar ou renovar a carteira de habilitação antes de 23 de janeiro, quando entra em vigor o novo Código Nacional de Trânsito. De acordo com Silva, serão alugados novos espaços, ampliados horários e contratados funcionários para dar conta do aumento na procura pela carteira em todo o Paraná. Em Curitiba, o movimento dobrou desde o anúncio do novo Código, pelo qual ficará mais difícil e caro obter a carteira de motorista.
A corrida aos guichês do Detran e das Ciretrans (Circunscrições Regionais de Trânsito) causou problemas em várias cidades. Em Londrina, a Ciretran suspendeu as inscrições para exames terça-feira, depois de preencher a agenda até 20 de dezembro.
Segundo o Detran, o calendário está cheio também em Cascavel, Ponta Grossa e Guarapuava. ‘‘Já resolvemos problemas semelhantes em Foz do Iguaçu e Maringá e, dentro de uma semana, deveremos ter uma solução para as demais cidades’’, disse Silva. ‘‘É um direito do cidadão obter a carteira na hora que desejar’’, afirmou.
O aumento na procura é causado pelas regras previstas no novo Código de Trânsito. Depois de 23 de janeiro, quem for tirar carteira de motorista não precisará mais fazer o exame psicotécnico. Mas, em compensação, será obrigado a fazer provas sobre primeiros socorros e direção defensiva. Além disso, receberá apenas uma carteira provisória, com duração de um ano e passível de ser cassada caso o motorista cometa infrações graves no trânsito. Outra mudança é que, como as novas carteiras incluirão uma foto do motorista, passarão a custar cerca de R$ 10,00 a mais, segundo estima o Detran. Hoje, as taxas para obter a carteira somam R$ 60,56.
Silva alerta que o Código ainda não está regulamentado e poderá sofrer mudanças. Mas os motoristas preferem não esperar. Em Curitiba, a média de exames passou de 4 mil para quase 8 mil por mês, desde que o Código foi sancionado, em setembro. A espera, em consequência, também cresceu: para fazer o psicotécnico, passa de 30 dias. Para os exames de rua, é de pelo menos dez dias.
Para encaminhar os papéis, é preciso dedicar meio período do dia. Ontem, a espera na fila do Detran chegava a três horas. A estudante Manoela de Córdova Carneiro, 19 anos, passou a tarde na fila com o namorado. ‘‘Dirijo desde os 13 anos e poderia ter tirado a carteira há um ano, mas agora me apressei porque ouvi falar que a partir do ano que vem o teste será mais rigoroso’’, disse.
É o mesmo caso do metalúrgico Clodoaldo Milistet, de 24 anos, que comprou um Chevette há pouco tempo e achou melhor tirar a carteira agora: ‘‘Depois, vai ser muita exigência’’. Na fila, a conversa mais comum é sobre a demora. ‘‘Considerando o que o Detran arrecada, o atendimento deveria ser rápido, mas, além de lento, é de péssima qualidade’’, reclamava a corretora de imóveis Bernadete da Silva, 32 anos, que passou a tarde no Detran para tirar a segunda via da carteira.

mockup