Uma simples ida a um fast food com o pai, sua segunda esposa e os dois filhos dela transformou a já desgastada relação entre Marcela (nome fictício), 14 anos, e a madrasta num relacionamento inexistente. ''Ela comprou um lanche para cada um dos filhos e quando eu pedi um para mim ela disse que não compraria porque eu não era filha dela. Meu pai estava sem dinheiro e também não me comprou o lanche e eu acabei olhando os meninos comerem'', contou a adolescente, que há dois anos não tem contato com o pai e a nova família dele.
Nem sempre a relação entre as duas foi difícil. Quando conheceu a nova namorada do pai, aos 8 anos, as duas se davam bem. ''Ela dizia que sempre sonhou em ter uma filha com o meu nome'', recordou Marcela. A situação mudou depois do casamento. ''Ela era muito folgada. Quando meu pai não estava em casa, ela gritava para eu descer do quarto só para abaixar o volume da tevê e não fazia almoço'', disse a adolescente, lembrando que quando o pai estava presente o comportamento da madrasta era totalmente diferente.
Depois que os pais se separaram, Marcela passou a frequentar a casa do pai todo fim de semana e como não se entendia com a esposa dele, ficava a maior parte do tempo no quarto ou em frente ao computador. Segundo ela, o tratamento dispensado aos filhos da madrasta era diferenciado. ''Ela comprava tudo para os meninos e quando chegava a minha vez, eu saía só com o meu pai.''
O relacionamento se desgastou de tal forma que a adolescente preferiu cortar relações com o pai, com quem não conversa há dois anos. ''Na verdade não sinto nem saudade dele'', confessou Marcela, que tem um meio-irmão com o qual também não tem contato. (M. G.)

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