Novo calendário de aulas sai amanhã
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de junho de 2000
Maigue Gueths e Dimitri do Valle 
A Secretaria de Educação do Estado anuncia amanhã o novo calendário das aulas para recuperar os 26 dias de greve dos professores e funcionários de escolas. A direção da APP-Sindicato, defende a manutenção das férias de julho, previstas para os dias 17 a 23. Segundo a diretora-geral da secretaria, Sônia Loyola, a maioria das escolas deverá abrir mão da folga e dos recessos escolares.
Temos três situações: escolas que não pararam, as que pararam parcialmente e outras que pararam totalmente. Cada uma terá que fazer seu plano próprio para as aulas extras, observou. A secretaria orienta os professores para que façam a reposição com aulas, evitem atividades extra-classe e priorizem a concentração dos trabalhos nos meses de junho e julho.
O diretor de imprensa da APP, Miguel Baez, acredita que os eventos culturais e esportivos podem ser substituídos por aulas e, assim, manter as férias em julho. Por lei, os colégios têm de garantir 200 dias letivos e 800 horas de aulas. Entretanto, alguns já tinham 220 dias de aulas programadas antes da greve.
É este o caso das turmas diurnas do maior colégio público, o Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, que tem 4,8 mil alunos do ensino médio em 132 turmas. Destes, só 1,4 mil estudantes do período noturno têm os 220 dias letivos previstos em lei, e terão mais dificuldades na reorganização das aulas.
Segundo a diretora-geral do colégio, Adélia Ribeiro, o esquema de reposição ainda não está fechado. Não vamos mexer nos feriados e domingo, mas provavelmente vai haver alteração nas férias, previstas para 10 a 24 de julho, e terá aulas nos dias de recesso, disse. Sua preocupação é garantir a reposição de todo conteúdo curricular no prazo estabelecido, sem interferir na data prevista (5 de dezembro) para o término do calendário escolar.
Preocupados com o vestibular, os alunos do 3º ano mostravam-se receosos, ontem, por ter perdido matéria com a greve e, ainda, com a possibilidade de não concluir o ano a tempo para fazer o concurso. O problema é que agora nós temos muita matéria acumulada para aprender, disse Luis Gustavo de Moraes, 16 anos, que pretende tentar publicidade. O amigo dele, Michael dos Santos, de 18 anos, que quer cursar jornalismo, planeja fazer cursinho em 2001 para se preparar melhor.
Até o final de agosto, a APP-Sindicato deve fazer nova convocação para discutir os avanços conquistados durante a paralisação. Das 11 questões negociadas, duas ainda estão pendentes: a eleição dos diretores de escolas e o reajuste de 41,14%.


