Admirador de cantos gregorianos, simpático à Nossa Senhora de Guadalupe e apreciador de um bom prato típico brasileiro: arroz, feijão com farinha, faz questão de destacar , bife e salada , o novo arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, hoje se apresenta aos fiéis londrinenses, na posse que será realizada às 9h30, na Catedral Metropolitana. Comunicativo, ele desfaz as malas, que também estão cheias de planos. Pretende reforçar os grupos de reflexão, aumentar o diálogo com os fiéis através dos meios de comunicação e garantir as caminhadas recomendadas pelo médico.
Desde que chegou, na quarta-feira à noite, não teve tempo para longos descansos. Conheceu sua nova equipe de trabalho, atendeu a imprensa, conversou com o prefeito e, hoje, festeja a posse com os cerca de cinco mil fiéis que são esperados na Catedral. Só de Joinville (SC), cidade onde foi bispo durante 12 anos, são dez ônibus que chegam em Londrina.
Também participam da cerimônia o Núncio Apostólico no Brasil que representa o Papa no país Dom Lorenzo Baudisseri, o Arcebispo Primaz do Brasil e presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella, além de bispos paranaenses e representantes das paróquias, pastorais e movimentos da Arquidiocese de Londrina.
Na nova residência londrinense, no Jardim Presidente (Zona Oeste), Dom Orlando, de 60 anos, se mostrou solícito ao atender a reportagem da Folha e revelou que nos momentos de descanso recorre à arte para relaxar e buscar equilíbrio. ''Qualquer manifestação artística é capaz de nos conectar com o divino. A música é minha predileta'', conta. No aparelho de som certamente tocarão os clássicos de Verdi, Bach e Beethoven. Na cabeceira da cama, ou próximo à poltrona que fica na pequena capela que existe na casa, estarão muitas bíblias e outros escritos teológicos. ''Gosto muito das inscrições bíblicas'', segreda.
Outro divertimento é acompanhar os jogadores do Corinthians em campo. Esportes ele conta que só praticou na época do seminário. Entre outras modalidades, jogava vôlei. ''Agora pratico só as caminhadas mesmo'', se diverte, já explicando que conheceu o Lago Igapó, onde pretende seguir à risca os conselhos médicos. Ele não conhecia a cidade ''só de cima do avião'', mas acredita que se adaptará bem. ''Dom Albano me disse que Londrina será minha nova esposa'', brinca.
Entre os próximos caminhos que pretende seguir no município, ele inclui conhecer todo o clero e a realidade local, além de rezar muito. Defende o ecumenismo e assegura que tentará manter o diálogo com outras religiões, tal qual fazia em Santa Catarina. ''Hoje, a violência, a insegurança e o vazio da sociedade fazem com que as pessoas busquem apoio na religião, por isso existem tantas por aí. Mas acredito que só o diálogo trará a paz'', reflete.
Dom Albano - Enquanto faz a transição para o novo arcebispo, seu antecessor, Dom Albano Cavallin, aguarda para saber em que paróquia estará vinculado. Ele permanece no muncípio, inclusive por recomendações médicas. Na época da nomeação de Dom Orlando, há dois meses, Dom Albano revelou à reportagem da Folha que gostaria de trabalhar no Centro Emaús, que fica próximo ao distrito de Espírito Santo, na Zona Sul de Londrina.

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