Novo Amparo comemora chegada de padaria
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terça-feira, 09 de setembro de 2014
Walkiria Vieira<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Inaugurada no último dia 17 de junho, a padaria da Associação Mãos Estendidas (AME), no Conjunto Novo Amparo, zona norte de Londrina, concretizou um sonho para a entidade e também para os moradores do bairro. Além de ser uma possibilidade real de oferecer uma formação profissionalizante para os jovens, a comunidade agora tem pão quentinho pertinho de casa.
De acordo com Viviane Kawasaki, 38 anos, coordenadora da AME, a padaria foi resultado de uma grande luta. "Do sonho à realidade foram três anos. Algumas máquinas ficaram guardadas por dois anos, até que a construtora Plaenge abraçou a causa e conseguiu concluir a obra em três meses", explica. Ela reforça que o principal objetivo sempre foi o de oferecer curso de formação profissionalizante para os adolescentes que frequentam a entidade, mas acabou que o pãozinho francês caiu rapidinho nas graças dos moradores do bairro, que até então precisavam comprar pão em mercadinhos mais distantes. Segundo a auxiliar de coordenação, Sandra de Sá Moraes, 41, eles já estão recebendo até encomendas de bolos, salgados e tortas.
Ainda conforme Viviane, um dos grandes acertos do projeto foi ter conseguido encontrar um padeiro experiente e com talento para ensinar as crianças: Devanildo Aparecido Dias das Neves, 39, mais conhecido como David. Ele convive com farinha, ovos, massas e cremes desde os 13 anos, quando sua mãe o acordava para ir trabalhar com ela numa padaria.
Hoje, o professor David inventa coisas e vai atiçando o interesse da garotada que participa das atividades na padaria. O dia em que ele decidiu fazer baguete, por exemplo, o aprendiz Brayan Marques dos Santos, 12, até arregalou os olhos, pois nunca tinha ouvido falar nesse pãozinho. Filho de um pedreiro e uma dona de casa, Brayan tem mais quatro irmãos e cursa o 5º ano do Ensino Fundamental. Curioso, ele participa também de outras oficinas na associação. "Se não estivesse aqui, ficaria na rua atrás de coisa errada", admite.
Motivado com o que já sabe fazer, Brayan conta que até ajudou a mãe a fazer um bolo. Agora já sabe também como faz pão caseiro, broa, pão doce, carolina, pão de queijo, bolo de limão, cenoura, chocotone e sonho.
Os primeiros pãezinhos alimentaram as quase 200 crianças e adolescentes que frequentam a associação no contraturno escolar e fazem lá duas refeições diárias. "Logo sugeriram que vendêssemos o pão e estamos produzindo em média 200 pães franceses por dia", conta Viviane. Cada pãozinho é vendido por R$ 0,35. E além do pão francês, outras massas estão conquistando a freguesia. Romilda de Moura Sebastião, 41, vizinha da associação, já virou cliente fiel. "Bem dizer, nasci aqui e a vida toda a gente tinha que ir longe buscar pão. Agora pode comprar aqui do lado, quentinho", elogia. O estudante Wender Moraes Gomes, 11, é outro que enche a boca para falar da padaria. "Tudo o que o padeiro faz, acaba. O dia do cupcake mesmo, foi tudo. É muito gostoso", garante. A diarista Marilene dos Santos, 46, confirma que a padaria está mexendo com os sentidos dos moradores: "Moro aqui há 30 anos e estou adorando porque não é caro e o pão agora é fresquinho".


