Novo aeroporto pode ter local definido
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Luiz Carlos CadiniVista aéreaÁrea
alternativa
para
o novo
aeroporto
de Cascavel
fica perto
da BR-277
e da Ferrovia
Paraná OesteO prefeito Salazar Barreiros (PPB) disse ontem que até segunda-feira estará definido o local do novo aeroporto de Cascavel. A área escolhida pela prefeitura em 1991 está ocupada por agricultores reassentados pela Copel, que são contra a obra no local. Eles alegam que o aeroporto compromete a segurança das famílias, as lavouras e os animais.
A alternativa é uma área às margens da BR-277, nas imediações da Ferrovia Paraná Oeste e do Parque Tecnológico do Oeste, onde seria possível implantar um sistema intermodal de transporte - envolvendo o rodoviário, o ferroviário e o aéreo. Barreiros conversou com a reportagem da Folha por telefone, de Curitiba, onde teve audiência com o governador Jaime Lerner (PFL) para discutir o assunto.
Segundo ele, o governador pediu pressa na definição do local, uma vez que o projeto do novo aeroporto, orçado em R$ 23 milhões, envolve recursos federais e do Orçamento do Estado que podem ser inviabilizados pela demora. Lerner recomendou, porém, que a definição deve ser fruto de avaliações compartilhadas. O recado foi objetivo: há necessidade de entendimento entre as esferas estadual e municipal, devendo ser considerada a situação do projeto de reassentamento da Copel.
A companhia está transferindo famílias que terão terras alagadas ao longo do Rio Iguaçu, com o reservatório da Usina de Salto Caxias. Uma das áreas de reassentamento é a Fazenda Piquiri, em Cascavel, com 2,73 mil alqueires e à margem da BR-369. Em 91, o prefeito decretou, em seu primeiro mandato, 80 alqueires da fazenda como de interesse para desapropriação para a obra do aeroporto. Na época ele já dispunha do projeto técnico elaborado gratuitamente pelo Ministério da Aeronáutica.
O sucessor de Barreiros, Fidelcino Tolentino (PMDB), não deu andamento ao projeto e a área não chegou a ser desapropriada. Em 96, a Copel adquiriu toda a propriedade para reassentar 252 famílias. Ao retornar ao cargo, no início de 97, Salazar retomou o projeto e insistiu em executá-la na fazenda. As famílias se manifestaram contra, argumentando que não haviam sido informadas sobre a possibilidade do aeroporto ser construído no local. A Copel também justificou desconhecer a pretensão do prefeito.
Hélio Bruning, um dos coordenadores dos reassentados, disse ontem em Três Barras do Paraná, de onde será transferido, que as famílias não discutirão mais o assunto, porque já estão se mudando. Casas e galpões estão sendo construídos e lavouras plantadas, inclusive na área de 80 alqueires. O problema é da Copel. Não pedimos para sair de nossa terra e temos o direito de não querer um aeroporto ao lado de nossas casas, disse.
Barreiros, no entanto, disse que fará uma última tentativa neste final de semana. A Copel já aceitou e acho que o diálogo com os reassentados pode dar resultado. O prefeito explicou que o projeto existente é específico para a Fazenda Piquiri e outro terá que ser feito caso ocorra mudança de área, ao custo de mais de R$ 400 mil e com demora de quatro meses. Mesmo assim, o prefeito admitiu que a área ao lado da ferrovia é interessante.
O governo do Estado se dispõe a elaborar o novo projeto e garante recursos orçamentários de R$ 10 milhões para 98. No atual orçamento, há R$ 2,2 milhões previstos e que dificilmente serão aproveitados. Para 98/99 há R$ 17 milhões assegurados de um programa federal para financiar novos aeroportos.


