Novo acidente reabre discussão sobre trens
Novo acidente reabre discussão sobre trens Uma senhora de 70 anos, identificada como Otília Alves dos Santos, morreu ontem atropelada por um trem, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Ela não ouviu o apito nem percebeu a aproximação do veículo ao cruzar a linha que passa debaixo do viaduto da Marechal Floriano Peixoto. O acidente serve como um argumento a mais para os curitibanos na luta por maior segurança nos 19 cruzamentos rodoferroviários, que cortam a cidade. Somente no ano passado, foram registrados 106 acidentes nesses pontos, entre atropelamentos e colisões de automóvel. Os dados são da América Latina Logística (ALL) empresa que ganhou, em 97, a concessão para a exploração do transporte ferroviário de carga no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de São Paulo. Uma comissão formada por um grupo de moradores das regiões próximas aos trilhos já propôs, em diversos abaixo-assinados levados ao Ministério Público, uma melhoria da sinalização e a instalação de cancelas que impediriam carros e pessoas de atravessar a linha quando o trem estivesse passando. A proposta não apenas traz mais segurança, como põe fim ao apito de 96 decibéis, ouvido cada vez que o trem atravessa um desnível. Além de ser um incômodo para a população, a poluição sonora causa diversos danos à saúde, como o aumento da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco. Para resolver esses problemas, a Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente já promoveu sete audiências, das quais participaram moradores interessados e representantes da Urbs e da ALL. Agendada para o dia 21 deste mês, a próxima assembléia irá definir os cruzamentos cuja sinalização é de responsabilidade da prefeitura. Duas empresas estão fazendo o orçamento da coloção da cancela nos cinco pontos pelos quais, com certeza, somos responsáveis. Ainda está sendo apurado se as outras 14 ruas que cruzam os trilhos foram construídas depois da linha ferroviária, porque neste caso, as despesas seriam por conta da prefeitura, diz a gerente do setor de patrimônio da ALL, Silvana Alcântara. A comissão de moradores já alcançou uma conquista: conseguiu o consentimento da empresa ferroviária para que o trem fosse proibido de passar pela cidade entre às 24 e às 5 horas a partir do último 24 de outubro. Mas o apito não atrapalha somente o sono. O filho de um dos meus amigos, que mora perto da linha, já está com o sistema nervoso afetado por causa do barulho, conta o advogado André Passos, um dos membros da comissão. (M.M.)





