Mesmo depois de fecharem a rua Bahia em três ocasiões entre agosto e setembro deste ano pedindo melhoria na sinalização, os moradores da Vila Nova (área central de Londrina) continuam testemunhando acidentes graves no trecho. No início da tarde de ontem, o atropelamento de mais uma moradora fez com que a população local se mobilizasse mais uma vez. Eles avisaram que os protestos não vão parar até que consigam ser ouvidos pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
O atropelamento de ontem provocou ferimentos em Maria Aparecida de Andrade, 51 anos, e aconteceu justamente no cruzamento das ruas Bahia com Piquiri, onde os moradores pedem melhor sinalização ou instalação de semáforo por causa do maior fluxo de pedestres, incluindo crianças que frequentam escolas próximas e idosos que seguem para agências bancárias e supermercados. O motorista do caminhão que atingiu a mulher, João Ferreira Barros, relatou que descia a rua Bahia ao lado de outro veículo. Testemunhas teriam dito a ele que Maria Aparecida tentou desviar de uma motocicleta e desceu da calçada para a rua. ''Acho que com o vácuo do caminhão ela se desequilibrou e bateu na lateral'', comentou.
Segundo informações do Siate, a vítima teve uma contusão no punho mas seu estado geral de saúde era bom. Ela foi encaminhada para a Santa Casa, onde seria melhor avaliada. ''Eu já atendi muitos acidentes graves na Bahia. É uma rua muito perigosa, onde já morreu muita gente'', lamentou um dos socorristas.
A fala dele se soma à dos moradores que pedem há meses melhorias na sinalização no cruzamento onde houve o atropelamento. Em setembro, depois que a população interrompeu o trânsito no trecho por três vezes, a CMTU instalou um semáforo no cruzamento da Bahia com Amapá, justificando que o fluxo de veículos era maior neste local. ''A CMTU tem razão quando fala que o fluxo de carros é maior na Amapá mas o nosso problema é o fluxo de pedestres na Bahia com a Piquiri'', criticou o tapeceiro Sérgio Luiz Narciso, que perdeu a conta de quantos acidentes já presenciou. ''Vamos nos reunir de novo para ver o que fazer. Queremos nem que seja um radar ou uma sinalização melhor, porque o semáforo deu uma amenizada mas não resolveu o problema'', afirmou a moradora Patrícia Pozzobom.
O diretor de Trânsito e Fiscalização da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, lamentou o acidente mas argumentou que ''ali o que não existe é o respeito de muitos motoristas à sinalização existente''. Ele afirmou que o local merece a instalação de radares eletrônicos para controlar a velocidade mas que isso não deve acontecer esse ano porque não existe previsão orçamentária. ''Estamos avaliando a colocação dos radares para punir esses motoristas que, infelizmente, só entendem a linguagem que dói no bolso'', apontou. De acordo com o diretor, a CMTU diagnosticou entre 15 e 20 trechos na cidade onde os motoristas também não respeitam a velocidade permitida e que deverão receber equipamentos eletrônicos para controlar o tráfego.

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