Edna Mendes
A entrada em vigor do novo Código de Trânsito Brasileiro deixou os estrangeiros que transitam diariamente em Foz do Iguaçu, na fronteira com Paraguai e Argentina, com muitas dúvidas sobre a nova lei. A maioria não tem conhecimento de todos os itens do novo código e muitos ainda não sabem se as leis passam a valer também para eles.
O major José Antônio da Silveira, comandante interino do 14º Batalhão da Polícia Militar, informou que as novas leis de trânsito valem também para os estrangeiros e que os veículos de outros países que forem multados no Brasil não serão liberados enquanto as multas não forem pagas. ‘‘No novo código existe um capítulo específico para os veículos estrangeiros, que receberão as mesmas penalidades aplicadas aos veículos nacionais’’, afirmou.
Segundo Silveira, a argumentação dos estrangeiros que circulam diariamente entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina) de que desconhecem as novas leis não serão toleradas pela polícia. ‘‘Eles recebem muitas informações através dos nossos meios de comunicação. Os nossos jornais, por exemplo, têm grande circulação nos países da fronteira’’, ressaltou.
Um exemplo da falta de informação sobre o novo código é o caso do motorista paraguaio Luis Maidana, de 23 anos, que circula há três anos entre Foz e Ciudad del Este, transportando turistas. Ontem, ele disse não saber nada sobre o novo código: ‘‘Desconheço totalmente’’.
O empresário paraguaio Alcides Toppi também entra no Brasil todos os dias e disse estar acompanhando pela televisão as mudanças da lei de trânsito. ‘‘Eu concordo com o novo código, mas acho que o governo brasileiro precisa realizar campanhas para informar melhor as pessoas, principalmente os estrangeiros. As nossas leis de trânsito são bem mais flexíveis e as multas não são tão caras como no Brasil’’, afirmou.
O motorista paraguaio Oscar Britez, de 33 anos, diz que ‘‘tem que haver mais tempo para que a gente consiga assimilar as coisas’’. ‘‘O trânsito em Ciudad del Este, por exemplo, é uma loucura e os motoristas paraguaios acabam cometendo as mesmas imprudências aqui no Brasil’’.
Britez ressalta ainda que o novo Código de Trânsito Brasileiro é muito rígido para ser aplicado num país de Terceiro Mundo. ‘‘O povo da América Latina não tem educação suficiente para se adaptar a um código de país de Primeiro Mundo. Muitas pessoas de Ciudad del Este, por exemplo, vão a Foz passar a noite e voltam embriagadas para o Paraguai. Isso é muito comum aqui, acontece todos os dias.’’

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