Curitiba - Na tarde de ontem, em Curitiba, a pensionista Leroy Gaspar da Silva, 73 anos, levou para casa uma caixa com um diamante. O inusitado nesta história é que a pedra foi obtida a partir das cinzas do marido, Jorge Gaspar da Silva, morto em 1994. Em um laboratório na Suíça, as cinzas dos ossos do ex-militar passaram por um processo de três meses até serem transformadas na pedra preciosa que foi entregue à viúva.
Segundo Mylena Cooper, representante da empresa suiça Algordanza, esse foi o primeiro diamante de cinzas humanas do Brasil. Foi preciso meio quilo de cinzas para a confecção de uma joia de 0.25 quilates (4,1 mm). O restante dos ossos cremados, cerca de 1,5 quilo, foi jogado sobre o gramado do Jockey Clube, o lugar favorito de Silva.
O preço para eternizar o marido em uma joia foi R$ 12,5 mil. Trata-se de uma pedra sintética, em muitos aspectos idêntica a natural. ''Ela tem a segunda maior qualidade e pode atingir a primeira. A coloração vai do branco ao azul, dependendo da quantidade de bório presente nas cinzas, influenciada pelo tipo de alimentação da pessoa'', explica Mylena, que também é diretora do Crematório Vaticano. No caso de Silva, o resultado foi uma pedra azulada com lapidação brilhante.
Dona Leroy diz que vai colocar o diamante em um pingente, mas não pretende ficar com a joia, que será presenteada à filha do casal, Ligia Cardoso. Ela conta que aceitou a proposta logo após a cerimônia de cremação dos ossos, em dezembro do ano passado. Ela foi casada durante 36 anos com o militar da reserva, que morreu aos 61 anos de problema cardíaco. Questionada se ele gostava de diamantes, ela comenta que o marido nunca ligou para joias. ''Só queria saber de corridas de cavalo''.
Para a entrega da pedra preciosa, uma pequena cerimônia foi realizada no próprio crematório. Parte da família compareceu. A pedra já tinha sido mostrada a dona Leroy, que sentenciou: ''Ficou linda. Cuidaram bem do meu velho''.
De acordo com Mylena, desde que começaram a ofertar o serviço, em Finados do ano passado, já receberam consulta de muitas pessoas, de várias partes do Brasil e da América Latina. ''Faltava termos o primeiro diamante brasileiro pronto. Agora já temos as cinzas separadas para o próximo. Temos recebido cerca de dez pedidos por mês'', afirma. O tamanho escolhido pela família Silva é o menor oferecido pelo serviço. A maior pedra, de um quilate (6,5 mm) custa R$ 52.330.

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