Dimitri do Valle
A novela do reajuste das tarifas do pedágio nas rodovias do Anel de Integração ganhou um novo capítulo. Para angústia dos representantes das concessionárias, que aguardavam uma eventual decisão para a tarde de ontem, o aumento só será definido pelo governador Jaime Lerner depois do próximo dia 15. É quando ele regressa de viagem aos Estados Unidos, onde acompanha o casamento da filha Andréia e faz palestra sobre o programa Paraná Urbano no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O secretário estadual dos Transportes, Heinz Herwig, que representava o governador numa solenidade em Londrina, confirmou no final da tarde que Lerner só tomará a decisão sobre o assunto quando regressar dos EUA. Herwig disse que as negociações com as concessionárias não estão chegando a um consenso porque o governador ‘‘não abre mão do início das obras num prazo imediato de tempo’’. O secretário teria ainda na noite de ontem um encontro em Curitiba com sua equipe de assessores na sede do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). O procurador jurídico do DER, Maurício Ferrante, disse que do encontro não sairia qualquer definição sobre o reajuste da tarifa.
Representantes das concessionárias atravessaram a tarde atrás de informações para confirmar o posicionamento do governo. O presidente da concessionária Ecovia, Ademar Rodrigues Alves, observou que não há impasse por parte das empresas, apesar das exigências do governo de defender o início das duplicações. ‘‘Nada está emperrando a negociações. O governo tem que decidir claramente quais são os investimentos’’, rebateu. Alves reconheceu que as indefinições sobre o índice de reajuste ‘‘geram uma certa ansiedade’’. O diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Washigton Lemos, informou que as perdas de receita das concessionárias desde a redução das tarifas em 50%, a partir de agosto do ano passado, chega a R$ 134 milhões.
‘‘A medida que o tempo vai passando temos um agravamento nas condições financeiras das concessionárias’’, comentou Lemos. Para ele, cada dia a mais sem uma definição representa ‘‘um pedacinho de uma obra que deixa de ser feita’’. O diretor da ABCR cita que as empresas já cederam o que podiam. ‘‘As perdas estão se acumulando e não serão indenizadas por ninguém’’, afirmou.

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