O resultado final da megaoperação policial foi a apreensão de 37 papelotes de pasta-base de cocaína, dois pés de maconha plantados em uma lata, três armas de brinquedo, um canivete e um soco-inglês improvisado. Nove suspeitos foram detidos. De acordo com investigadores que participaram da ação, a informação teria ''vazado'' horas antes do início da operação. ''Chegamos em vários barracos e encontramos somente mulheres e crianças. Um dos presos disse que já estavam sabendo do arrastão'', disse um policial, que pediu para não ser identificado.
Mesmo assim, o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jorge Barbosa, disse que a operação foi positiva porque resultou na prisão de suspeitos de homicídio e de tráfico. ''Prendemos dois suspeitos do assassinato do Everton (Luiz Marcondes, 14 anos, morto no início deste mês) e conseguimos informações sobre o autor do tiro que matou o funcionário da Bratac'', explicou Barbosa.
A operação revoltou familiares dos detidos. Ontem, várias pessoas estiveram na 10 SDP, em busca de informações sobre os presos. Familiares de dois suspeitos detidos (Alcides Luiz da Luz Gomes e Cleber dos Santos Gouveia, ambos de 18 anos) criticaram a abordagem. ''O Cleber estava em casa e não tinha nada, nem armas e nem drogas. O problema é esta briga entre as gangues, que começou com o assassinato do cunhado dele há dois anos'', disse a esposa de Cleber, D.V.M., 17.
No Centro Integrado de Triagem, houve um desentendimento entre Cleber e Alcides (do Jardim Leste-Oeste) e a dupla B.D.S., 16, e Marcelino de Oliveira, 18 (do Nossa Senhora da Paz). Os quatro se recusaram a ocupar a mesma cela e tiveram que ser separados. B., segundo familiares de Cleber, teria assassinado um parente deles.
A empregada doméstica Claudete Moreira Lima, 33 anos, mulher do eletricista João Rodrigues de Oliveira, 49, estava inconformada com a detenção dele. ''A droga (37 papelotes de pasta-base) não foi encontrada em nossa casa. Alguém jogou isso no quintal e a polícia achou. Ele trabalha em uma empresa e não tem nada a ver com tráfico'', disse.
''Tudo foi feito dentro da lei, havia uma autorização judicial. Os detidos com entorpecentes foram presos em flagrante. Os suspeitos de participação em homicídios foram ouvidos para que prestassem esclarecimentos'', disse o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André.
B. e os três rapazes de 18 anos suspeitos de homicídios foram interrogados e liberados. A polícia requereu a prisão preventiva de Marcelino que, segundo o delegado Pedro Maomé Machado, é um dos suspeitos do assassinato de André Serion Hilário, 23 anos, morto a tiros no início da semana no Jardim Leste-Oeste.
João Rodrigues e Alex Barbosa foram encaminhados ao 2º Distrito Policial, autuados por tráfico. Júlio Celino dos Santos Filho, 34 anos, foi liberado após ser citado em termo circunstanciado por apropriação de objeto achado um celular de origem não-comprovada. O nono detido, Celson Eliezer Fontes, era foragido da Colônia Penal Agrícola. (Colaborou Fábio Galão)

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