Nove pacientes em estado grave internados aguardavam, ontem, por vagas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Universitário de Londrina (HU). Eles estavam respirando por aparelhos em leitos do Pronto-Socorro, enfermaria e até no setor de Hemodinâmica. O sentimento de incapacidade de médicos, pacientes e familiares que acompanham a situação expõe, mais uma vez, a crise no setor de saúde, traduzida pelo comentário do diretor clínico do hospital, Sinésio Moreira Júnior, que considerou inadequado tanto do ponto de vista terapêutico, como humano, pacientes necessitando de cuidados especiais internados em enfermarias.
''A gente jamais pode descartar a chance de sobreviver de um paciente que vai para um local adequado. Por mais que você preste cuidados para essas pessoas, acabam sendo atendidas por funcionários, entre médicos, auxiliares e técnicos de enfermagem, que não são especializados'', avaliou Moreira Júnior, ao comentar sobre a possibilidade de pacientes morrerem por falta de tratamento em UTI. Ele ilustrou a situação ao dizer que cada funcionário de UTI é responsável pelo atendimento de um ou dois pacientes, enquanto na enfermaria esse número é muito maior.
Desde as 8 horas de ontem o HU também estava com o atendimento do PS Médico suspenso, recebendo somente os casos de urgência e emergência. Vários pacientes estavam internados nos corredores. Nos cinco PSs do HU estavam internados ontem 57 pacientes, número superior ao total de vagas, que é de 38. Além do Médico, o hospital ainda tem os pronto-socorros Obstétrico, Cirúrgico, Ortopédico e Pediátrico, que atendiam normalmente.
Desde sexta-feira, um rapaz que sofreu um acidente de moto esperava por uma vaga de UTI. Ele estava com um traumatismo craniano considerado grave e ontem era o paciente que aguardava há mais tempo pelo leito. O HU tem 17 leitos de UTI.
''Há 10 dias o PS vem registrando sobrecarga. A situação piorou a partir de sexta-feira, quando chegaram dois pacientes necessitando de cuidados especiais. Colocamos esses pacientes na Central de Leitos (Central de Regulação de Leitos da Secretaria de Estado de Sa© úde), mas não houve por parte da central a transferência e, da nossa parte, não temos condições de atender a demanda'', disse o diretor clínico do hospital.
Os pacientes que aguardavam vaga na UTI eram de Londrina e de municípios de abrangência da 17 Regional de Saúde, como Ibiporã, Cambé e Tamarana. Ontem pela manhã, a reportagem da Folha procurou a chefe da 17 Regional de Saúde de Londrina, Vânia Gutierrez, que estava em Foz do Iguaçu. Ao atender ao telefone celular, ela disse que desconhecia a situação do HU porque estava participando da Conferência Estadual de Saúde.

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