Novas visões foram descobertas
Ao abordar temas como meio ambiente, saúde, cidadania e trabalho e consumo, o Programa Agrinho, mais do que informar, procura despertar na comunidade escolar o gosto pela pesquisa. Os resultados das experiências pedagógicas sugeridas na metodologia do programa surpreendem pelo alcance e número de adeptos. Esses projetos que têm nos professores e alunos os principais agentes de um trabalho que vem contabilizando vitórias.
Alunos de terceira e quarta séries de uma escola municipal rural de Campina Grande do Sul enviaram cartas ao secretário municipal de Meio Ambiente relatando os problemas ambientais levantados por eles na comunidade onde vivem, como desmatamento, esgoto a céu aberto, lixo, rio poluído e superpopulação de animais domésticos. O secretário Sadiomar Santos respondeu listando uma série de providências que a administração estaria tomando.
Além disso, destacou em carta ao secretário municipal de Educação, Esporte e Cultura, a relevância das ações desenvolvidas no programa, que este ano teve como tema meio ambiente. ''Preparar e formar cidadãos conscientes sobre todas as óticas ambientais, como a exemplo dos trabalhos desenvolvidos nesses meses de Agrinho, só se faz com muita responsabilidade e muito comprometimento.''. Ainda sobre os trabalhos, ele avalia: ''Barreiras foram rompidas, novos relacionamentos foram criados, novas visões sobre a escola, o bairro e o vizinho foram descobertas''.
O município de Piên foi um dos primeiros a trabalhar com o Agrinho. Na opinião da secretária de Educação, Zandaira Salete Cavagnoli Schauz, a grande lição do programa é a mudança de hábitos e atitudes que provoca por intermédio de professores e estudantes. ''É a longo prazo mas já podemos perceber em atitudes simples como não jogar papel no chão. Pode ser pequena quando envolve uma criança mas quando envolve uma escola, uma comunidade, acabam fazendo diferença no comportamento da sociedade.''
Outro aspecto destacado pela secretária é que o programa influencia no processo de socialização das crianças. ''Com certeza as futuras gerações vão ter um espaço de vivência muito mais saudável.''
Ribeirão Claro trabalha há sete anos com o programa. Para a secretária de Educação, Cultura e Esporte, Giovana Aparecida Cornélio, o trabalho já é parte do currículo escolar. ''As crianças sabem que vão trabalhar com o Agrinho, a comunidade sabe, e empresários da cidade querem saber o tema para saber como podem ajudar.''
Este ano o tema foi cidadania. Ela diz que com o envolvimento de todos, os trabalhos apresentaram resultados surpreendentes. Crianças de uma escola decidiram mobilizar a comunidade para a reforma da casa de um cômodo de um colega que morava com a família de 15 pessoas. ''Arrecadaram material com empresários, mobilizaram a associação de moradores que trabalhou em sistema de mutirão e construíram quartos e banheiros.'' Outro exemplo é o das crianças que ajudaram a formar uma cooperativa de catadores de papel, que há anos trabalha com coleta seletiva de lixo. ''Com o Agrinho conseguimos resgatar a comunidade, todo mundo se envolve.''





