Maigue Gueths
De Curitiba
O câncer de próstata é a segunda forma de doença maligna que mais mata os homens, perdendo apenas para o câncer no pulmão. Só no Brasil, cerca de 7 mil homens morrem por ano com a doença. A incidência é tão grande, que estima-se que um a cada dez homens irão desenvolver esta neoplasia em alguma fase de sua vida. Apesar dos dados alarmantes, as notícias para quem quer se prevenir contra o câncer de próstata são boas. Com exames anuais é possível detectar a doença precocemente e obter índice de cura em até 85% dos casos.
O maior problema, para o urologista e uro-oncologista Marcelo Luiz Bendhack, é vencer o preconceito masculino quanto à execução do exame, que é feito através do toque digital retal. ‘‘Se comparado a exames preventivos para o sexo feminino, é um exame relativamente simples, que dura apenas de dez a 15 segundos’’, diz. O exame preventivo torna-se ainda mais importante se levarmos em conta que esta doença dificilmente causa sintomas específicos, a não ser quando o tumor já alcançou grande proporção. Cerca de 30 a 50% dos homens só procuram os médicos quando a doença já está em fase avançada.
É difícil estabelecer causas para a doença. Sabe-se apenas que sua ocorrência depende da presença da testosterona e pode ter relação com fatores genéticos, idade, raça, dieta e exposição a toxinas ambientais e metais pesados. Por isso, recomenda-se que os homens se submetam a exames anualmente a partir dos 40 anos. O exame pode determinar não apenas o câncer, mas também outras doenças, como o aumento de tamanho e inflamação da próstata.
Mas desde meados da década de 80, a detecção precoce do câncer de próstata ficou mais eficiente, com a descoberta do PSA (Antígeno Prostático Específico), chamado de marcador tumoral. O PSA é uma proteína presente nas membranas de células prostáticas, detectada através de exame de sangue, que vai ajudar a definir a necessidade ou não de uma biópsia de próstata. Além destes dois exames, é feita ainda uma ecografia, para avaliação de todo aparelho urinário. Há um ano, mais um novo exame foi incorporado ao tratamento, o de PSA livre, também detectado no sangue. Com este exame, muitas biópsias desnecessárias vêm sendo evitadas. Hoje cerca de 50% das biópsias são negativas para o câncer.
Segundo o Bendhack, doutorado em marcadores tumorais na Universidade Heinrich-Heine de Dusseldorf, na Alemanha, ‘‘essas descobertas e o uso da cirurgia como tratamento diminuíram - e muito - a mortalidade do câncer de próstata’’. O tratamento clássico para tratar os casos de doença restrita à próstata, segundo ele, é a prostatectomia radical. Trata-se de uma cirurgia que permite a retirada completa da doença, com 85% de índice de cura. O tratamento pode ser feito, ainda, com radioterapia, que pode ser teleterapia ou a braquiterapia. ‘‘Mas a cirurgia tem 10% de vantagem sobre estes processos’’, diz.
Os homens devem ficar atentos a alguns sintomas, já que a doença pode se manifestar através da dificuldade para urinar, redução da força e calibre do jato de urina, aumento da frequência com que vai ao banheiro, sensação de que não urinou tudo o que deveria, além da presença de sangue na urina.

mockup