Novas regras para exposição de animais
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina Algumas das maiores vítimas do calor escaldante dos últimos dias em Londrina e região são os animais que ficam expostos em vitrines nos pet shops. Muitos ficam em situações estressantes, em áreas de alta insolação, com alto fluxo de pessoas e veículos e em ambientes muito ruidosos. Some-se a isso a falta de espaço aos quais muitos ficam confinados.
Para melhorar as condições de vida desses bichinhos, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) editou uma resolução com novas normas para exposição e manutenção de animais nos pet shops. A medida estabelece regras que devem ser observadas por estabelecimentos que comercializam animais de estimação.
O texto prevê que os animais não sejam submetidos a situações estressantes e tenham um ambiente seguro, confortável, livre do excesso de barulho e poluição, não tenham contato com o público a não ser quando houver uma venda iminente, tenham espaço suficiente para se movimentarem, sejam protegidos contra correntes de ar excessivas, não estejam expostos a chuvas ou muito sol e não sejam expostos a animais com potencial risco de transmissão de zoonoses ou doenças de fácil transmissão.
Manter animais em gaiolas ou caixas de vidro não é proibido, mas o acesso dos clientes aos bichos deve ser mais restrito.
A funcionária de um pet shop, Rafaela Aparecida Pandolfo, garantiu que a maneira como esses animais são mantidos hoje não gera estresse nos animais. "Nós fornecemos rações de qualidade, damos um banho por semana para cada um deles. Colocamos água fresca a todo momento, as vacinas são aplicadas adequadamente e um veterinário fica olhando os animais a toda hora", ressaltou. Ela destacou que os funcionários sempre deram muito carinho aos animais. "Basta ver a alegria deles na gaiola. Além disso, eles nunca ficam mais do que uma semana na loja. A rotatividade é alta", argumentou.
A funcionária de outro pet shop, que preferiu não se identificar, também garantiu que os animais na loja são bem tratados, mas admitiu que o ideal seria que os animais ficassem em um ambiente menos estressante. Ela destacou que se for necessário pode mudar os animais das gaiolas para um sítio do qual é proprietária. "Posso transferi-los das gaiolas para um cercadinho."
A resolução se justifica porque os animais podem reagir com mudanças no organismo ou de comportamento sob situações de transporte, mudança de ambiente ou na rotina, com sinais que vão da agressividade à apatia, ou fisiológicos, com vômitos, diarreia ou perda de apetite. Em se tratando de peixes, aves e répteis, essas condições estressantes podem levá-los até a morte. Isso requer que todos os animais sejam mantidos sob uma temperatura adequada e contenções apropriadas. Além disso a resolução prevê que os animais sejam devidamente imunizados e medicados e mantenham um documento registrando tudo isso. Os animais também devem possuir uma idade mínima para exposição, manutenção, venda ou doação de acordo com a espécie e raça.
A casa que comercializa esses animais também deve ter um plano de evacuação adequado e manter, pelo prazo de dois anos, o registro de dados relativos aos animais comercializados, contendo identificação, procedência, espécie, raça, sexo, idade real ou estimada; destinação pós-comercialização; ocorrências relacionadas à saúde e bem-estar dos animais, incluindo protocolo médico-veterinário e quantidade de animais comercializados, por espécie; documentação atualizada dos criadouros de origem constando CPF ou CNPJ, endereço e responsável técnico.
Diante dessa nova resolução, a funcionária de um dos pet shops de Londrina, Rafaela Aparecida Pandolfo, destacou que o estabelecimento iria se adequar às normas, mas afirma que precisa ter um contato melhor o teor do texto. "Nós iremos nos adequar e não vamos mais manter os animais expostos ao público sem necessidade. Uma das soluções possíveis seria manter os animais com o criador deles e nós ficaríamos responsáveis apenas pelo encaminhamento dos clientes, mas isso ainda precisa ser discutido com o proprietário do estabelecimento."


