Novas práticas contra o mal súbito
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Maior causa de mortalidade no país, principalmente durante o inverno, o mal súbito mata por ano por volta de 300 mil pessoas. Só em Londrina, estima-se que o número de vítimas chegue a 500 anualmente. Na tentativa de derrubar estes números, o desafio é abrir todas as frentes possíveis de combate, tanto na educação da população quanto na inovação em termos de procedimentos e tecnologias. O Hospital Universitário (HU), que discute soluções tanto para evitar o agravamento dos casos quanto para modernizar o atendimento do paciente que chega ao hospital com quadro de parada cardiorrespiratória.
O professor adjunto de cardiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico do Hospital Universitário (HU-Tec), cardiologista Manoel Henrique Canezin, afirma que em 80% das vezes, o mal súbito tem relação com problemas cardiovasculares . ''As três principais causas de mortalidade pré-hospitalar no Brasil são o acidente vascular cerebral (AVC), o infarto e a parada cardiorrespiratória e todas são doenças cardiovasculares'', aponta o médico.
O especialista foi o idealizador da campanha ''Tempo é Vida'', que se transformou na lei municipal de Suporte Básico de Vida (SBV) em junho de 2002 e fez de Londrina a primeira cidade da América Latina a desenvolver projetos visando educar a população para interferir correta e rapidamente em casos de mal súbito. Esta estratégia é importante porque as três situações - AVC, infarto e parada - são chamadas de tempodependentes e as chances dos pacientes aumentam mais quanto mais rápido o paciente receber atendimento.
Outra ideia colocada em prática é treinar professores para que este conhecimento seja multiplicado entre alunos e os pais. ''O tempo é fundamental para podermos tratar o infarto antes que ele cause uma parada; tratar o AVC, ou derrame, antes que ele deixe sequelas; e em caso de ter a parada, que possamos tratá-la a tempo de salvar a vida do paciente'', reforça.
Canezin observa que pelo menos 15% da população precisa ser treinada. ''O ideal é que pelo menos uma pessoa próxima esteja preparada para dar a primeira assistência à vítima de perda da consciência por mal súbito''. Este seria o primeiro elo desta corrente de sobrevivência. Enquanto isso, a ciência também dá sua contribuição. As práticas atuais, por exemplo, não exigem mais a respiração boca a boca em caso de parada cardiorespiratória. ''O indicado é fazer 100 compressões cardíacas (massagem cardíaca) por minuto, forte e rapidamente'', orienta.
Enquanto isso, devem ser acionados os serviços de atendimento de urgência e emergência (Samu/Siate), o segundo elo da corrente de sobrevivência e que deve atender a vítima em até sete minutos. O terceiro elo é colocar o paciente numa ambulância de suporte avançado (similar à uma UTI) e transferí-la para um hospital que disponha de instalações, equipamentos e pessoal qualificado.
Qualificado para prestar este atendimento, o Hospital Universitário busca introduzir novo protocolo muito celebrado por profissionais de saúde. É a chamada hipotermia, técnica que consiste no rebaixamento da temperatura do paciente vítima de parada cardiovascular para até 32 graus, o que reduz consideravelmente os riscos de danos ao paciente nas primeiras 24 horas após o problema. ''As chances de recuperação sem sequelas aumentam em mais 30%.''


