Novas possibilidades em sala de aula
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A especialista em educação inclusiva, Raquel Paganelli Antun, de São Paulo, observa uma tendência nas escolas em padronizar estratégias de avaliação e defende que isso precisa ser mudado. "É necessário experimentar outras possibilidades, como, por exemplo, provas orais, para que as crianças consigam se expressar de outras formas", aponta. Ela também comenta que é comum a prática de reduzir o conteúdo para algumas crianças por achar que não são capazes de aprender. "O caminho não é esse. É preciso ter altas expectativas para todos", completa.
Sobre dicas de atividades, Antun responde que não há receita pronta, mas cita que a dinâmica deve ser sempre pautada na valorização das diferenças. "Quando o professor tem uma atitude de abertura e valorização às diferenças, as crianças acabam incorporando isso", reforça.
Para a psicopedagoga, esse comportamento tende a ser mais efetivo do que um momento pontual, como uma conversa sobre deficiência, que pode evidenciar muito mais aquela criança como sendo a única diferente e reforçando uma situação de bullying ou de exclusão. "Com isso, as crianças que não têm deficiência, mas que estão de alguma forma sendo excluídas do grupo, também vão ser trazidas para perto e todos vão crescer como cidadãos muito mais conscientes de que precisamos de uma sociedade incluída", salienta.
Uma dica simples, segundo ela, é colocar alunos com ritmos diferentes no mesmo grupo para trabalharem juntas, reconhecendo que as diferenças enriquecem o processo o educacional.
FAMÍLIA
A família também deve ser envolvida nas estratégias e objetivos de aprendizagem. "O planejamento que o professor desenvolve antes mesmo de conhecer os alunos está fadado ao insucesso. Ele precisa envolver a família nesse processo para descobrir, de fato, como cada criança aprende e quais são as melhores maneiras de avaliá-las. A família e a escola devem caminhar lado a lado, vislumbrando objetivos comuns: a participação e autonomia da criança e o pleno desenvolvimento de suas capacidades", finaliza.
Antun é membro do projeto Diversa, uma iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com o Ministério da Educação, entre outros, para troca de experiências e construção de conhecimento sobre a inclusão de alunos com deficiência na escola regular.


