O Ministério Público solicitou que o Instituto de Criminalística de Foz do Iguaçu faça perícias complementares às já realizadas nas armas e no local do crime que vitimou há quase dez meses, durante ação policial na Favela Monsenhor Guilherme, quatro rapazes (três deles menores). Em outubro do ano passado, oito policiais civis, comandados pelo delegado Antônio Donizete Botelho, mataram durante suposta ação para reprimir tráfico de drogas Eli de Oliveira, 19 anos, Giovani Medina, 15, Ademilson Dias Matos, 17, e Arnaldo Oziel Mongelos, 16.
A polícia assegura que os rapazes pertenciam a uma quadrilha de traficantes e que teriam sido mortos durante troca de tiros com os policiais. Testemunhas desmentem a versão da polícia. Nenhum dos rapazes tinha passagem pela polícia e todos tinham emprego fixo.
A Promotoria de Justiça alega que nos laudos anteriores havia carência de informações, o que estaria dificultando o andamento do processo. A Justiça espera que em 45 dias as novas perícias estejam concluídas para que possa reiniciar as análises do processo. Segundo informações do Ministério Público, todos os dez promotores de Justiça de Foz foram designados para atuar no processo. A medida visa garantir maior imparcialidade na apuração dos fatos.
De acordo com o promotor Ourival Santos Filho, a lentidão no encaminhamento do processo se deve à falta de detalhes nos laudos realizados na época do crime. ‘‘Precisamos de maiores esclarecimentos sobre a colheita de provas técnicas’’, explicou. O promotor não adiantou quais seriam as deficiências encontradas nos laudos anteriores.
Segundo o presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu, José Elias Aiex Neto, o órgão teria encaminhado correspondência ao Ministério Público pedindo informações sobre o andamento do processo, mas não conseguiu saber maiores detalhes sobre as investigações. Aiex informou ainda que o Parlamento Italiano, que já havia se manifestado sobre o incidente na favela, continua solicitando informações sobre as providências que a Justiça brasileira tomou sobre o caso.
Na época do crime, os policiais Hugo Vidal Ferreira Junior, Luís Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno Carneiro, Luís Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek e Fioravante Beruchon dos Santos, além do delegado Botelho, que atuaram na operação, foram afastados das funções externas e passaram a trabalhar no setor administrativo da Polícia Civil. A Corregedoria da Polícia Civil também instaurou um processo administrativo para apurar o caso.
Segundo informações do Conselho da Polícia Civil, em Curitiba, o processo administrativo foi concluído em julho. O resultado sobre as apurações da polícia não foi divulgado. O conselho apenas informou que os nove policiais receberam suspensão por 60 dias. Grande parte desses policiais continua trabalhando na região Oeste do Estado.

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