O ex-tesoureiro do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança, Vigilância, Transporte de Valores e em Serviços Orgânicos de Segurança de Londrina e região, Noé Moreira, prestou ontem depoimento no 1º Distrito Policial (DP). Ele negou que teria participado de um esquema que teria desviado mais de R$ 36 mil dos cofres da entidade e utilizado irregularmente um cheque em nome do sindicato, de valor superior a R$ 3 mil, que teria sido usado para pagar uma festa numa boate em julho de 2002.
Segundo o delegado Marcelo Sakuma, Moreira informou que era tesoureiro da entidade desde 1992 e que, no episódio da festa, teria dado um cheque em branco com sua assinatura para o presidente da entidade, Gabriel Trindade. Este, segundo o depoimento do ex-tesoureiro, teria utilizado o documento para pagar as despesas da festa numa boate da Zona Norte.
De acordo com o delegado, Moreira disse que, depois que soube que o cheque havia sido usado de forma irregular a festa teria sido restrita a simpatizantes da chapa de Trindade, que se reelegeria naquela semana , iniciou uma auditoria nas contas do sindicato, no ano passado.
Segundo seu depoimento, a investigação teria apontado que a diretoria havia desviado mais de R$ 36 mil do dinheiro das mensalidades e das taxas confederativas pagas pelos cerca de 900 associados da entidade. ''Após a auditoria, Moreira teria pedido desligamento do sindicato'', comentou Sakuma. Segundo o delegado, o ex-tesoureiro também afirmou que, no pleito de 2002, Trindade teria fraudado o resultado.
Um grupo de associados, liderados pelo vigilante José Castorini, enviou ontem um informe à imprensa no qual acusa Trindade de outras duas irregularidades: por dirigir o carro da entidade sem possuir carteira de habilitação e por estar sem atividade na área de segurança, o que tornaria ilegal sua permanência no sindicato.
Também contra a atual diretoria consta uma queixa registrada na polícia, em novembro, pela empresa Maximu's Saúde, que administrava o convênio de saúde oferecido pela entidade representativa dos vigilantes aos associados. Segundo Carlos Alberto da Silva Braga, diretor da empresa, o sindicato teria atrasado pagamentos, cometido irregularidades envolvendo guias de consulta e utilizado indevidamente o nome da empresa para continuar oferecendo o serviço de saúde aos associados mesmo após o cancelamento do contrato, o que ocorreu em setembro do ano passado. Segundo Braga, a dívida do sindicato com a empresa é de R$ 150 mil. O caso está no 1º DP.
Para complicar o caso, um ex-delegado do sindicato registrou anteontem um boletim de ocorrência na 10 Subdivisão Policial (SDP), denunciando que estaria sendo vítima de ameaças de morte. Ele teria participado da chapa que concorreu com a de Trindade nas eleições para a diretoria do sindicato em 2002 e feito denúncias contra o atual presidente.

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