As ofensas de um grupo de residentes e ex-residentes do Hospital Universitário (HU) contra funcionários e pacientes feitas em comunidades de internautas reveladas na semana passada pela Folha continuam repercutindo. Ontem, a Associação dos Médicos Residentes de Londrina (Amerel) desmentiu que os novos comentários sobre o assunto, que teriam sido feitos no final de semana e que foram repassados à Redação da Folha por um funcionário do hospital, não teriam partido de residentes nem ex-residentes. Segundo a Amerel, o que houve foi uma coincidência de nomes, mas os membros da comunidade não teriam qualquer ligação com o curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O presidente da Amerel, Marcelo Cichocki argumentou que os seis internautas que se referiram ao problema que ocorreu no HU fazem parte de uma comunidade da Universidade, mas nenhum deles seria aluno ou ex-aluno do curso de medicina. ''São outras pessoas vestibulandos e universitários que não têm ligação nenhuma com a Medicina da UEL'', garantiu. Na opinião dele, o que gerou a desconfiança do funcionário que repassou o conteúdo da conversa à Folha foi a coincidência de nomes, já que pelo menos três membros da comunidade usavam nomes iguais aos de residentes e ex-residentes que fizeram os primeiros comentários contra funcionários e pacientes da UEL e que estão sendo investigados por uma comissão de sindicância.
As opiniões preconceituosas e discriminatórias contra os servidores e pacientes veiculadas na internet provocaram uma crise de relacionamento que perdura desde a semana passada entre os que trabalham no hospital. Um grupo de residentes e ex-residentes usou palavras ofensivas como ''macaca'', ''orangotango'', ''bicha da noite'', ''traveco'' e ''prenhas nojentas'' em referência a funcionários e pacientes. Cichocki disse que o ''clima no hospital melhorou'' nos últimos dias, mas ainda existem dificuldades.
Enquanto isso, os servidores técnico-administrativos do HU alertam que ''não vão deixar o assunto cair no esquecimento''. A presidente do Sindicato do Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria da Cruz, reclamou que o grupo de residentes envolvidos com as declarações na Internet está recebendo tratamento privilegiado pela UEL. ''O servidor é imediatamente afastado de suas atividades até se concluir as investigações. Quero deixar claro que não concordo com isso, mas o que está causando indignação é que na comissão de sindicância dos residentes (eles) continuam em atividade'', apontou. Ela advertiu que essa postura pode ter reflexos negativos no atendimento aos pacientes e na própria formação dos acadêmicos de Medicina.
A assessoria da Reitoria da UEL esclareceu que, na atual gestão, dificilmente ocorre afastamento de servidor que está sendo alvo de sindicância. Nesta fase, o investigado só pode ser afastado a pedido da própria comissão ou da reitoria, o que teria acontecido apenas duas vezes nos três anos de administração da reitora Lygia Pupatto. O servidor só é afastado cautelarmente a partir da instauração do processo disciplinar ''quando há indícios de autoria e a presença da pessoa no local de trabalho possa atrapalhar o andamento das investigações''.

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