Uma nova onda de imigração está acontecendo no Brasil, segundo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do último levantamento estatístico feito no período de 1990 a 1996, indicavam crescimento da presença de estrangeiros vindos de países asiáticos e do Oriente Médio. No mesmo prazo da amostragem do IBGE, o Ministério da Justiça registrou 18 mil solicitações de vistos de imigrantes dessas regiões. O ministério aponta que eles estariam se deslocando para as grandes cidades, empregando-se ou atuando no setor comercial.
O comerciante M.Y., 34 anos, apresentou esta semana na Polícia Federal a sua documentação para regularizar a permanência no Brasil. Ilegal há seis anos, desde que imigrou da China para o Brasil, ele vinha cuidando da loja de um parente na região central de Curitiba. Para sobreviver na cidade e ter uma vida aparentemente normal, M.Y. viveu com documentos de um irmão, que em 1988 aproveitou a anistia do governo federal para sobreviver no País. O caso do comerciante chinês é um dos 100 mil que o governo federal pretende regularizar no País.
No Paraná, a estimativa do Ministério da Justiça é que dez mil pessoas saiam da clandestinidade. A estimativa é da assessoria do Ministério da Justiça, em Brasília, que baseia este número em função da proximidade do Estado das fronteiras do Brasil com Argentina e Paraguai. A Polícia Federal estima que a maior parcela dos estrangeiros clandestinos no Paraná seria formada por latinos, seguidos de asiáticos e árabes. Também existiriam europeus e africanos. Hoje, no Paraná, 10% da população estadual é formada por imigrantes.
‘‘Por causa da forma que entra no Brasil, o clandestino vive à margem da sociedade, próximo da transgressão da lei’’, avalia o superintendente da Polícia Federal, Luiz Glicério Ferrari. O superintendente considera que, pela permanência ilegal, muitos dos imigrantes burlam a lei para conseguir trabalhar, morar e comprar.
‘‘Quem está na minha situação acaba aprendendo o jeitinho do Brasil para viver bem’’, diz o comerciante M.Y.. Por trabalhar no comércio, ele se valeu da documentação do irmão para gerenciar uma lanchonete e, inclusive, abrir uma conta bancária. ‘‘Precisava dela para coordenar a minha loja’’, diz. M.Y. sabe que fez algo irregular, mas considera que não existiam outras formas para evitar este tipo de situação. ‘‘Não cometi crime nenhum e, depois de regularizado, não vou deixar de cumprir a lei’’, diz. ‘‘Meu país agora é o Brasil’’, afirma.
Apesar dos problemas da ilegalidade, a vida do migrante chinês pode ser considerada melhor do que a de outros migrantes. O cozinheiro boliviano Raul M., que já entrou com processo de legalização, conta que em seus primeiros anos no Brasil trabalhou de forma quase escrava numa confecção no interior de São Paulo. ‘‘Lá o meu antigo patrão me pagava menos que os demais funcionários. Só consegui viver melhor quando um patrício regularizado me convidou para trabalhar em seu restaurante de forma legal’’.
Estrangeiro ilegal há seis anos, ele diz que veio ao Brasil em busca de melhor situação de vida. ‘‘Vim para o Brasil porque em meu país não tinha oportunidade para crescer e educar meus filhos’’, disse. Pai de dois filhos - um de 4 anos e outro 5 anos -, ele afirma que tem sido difícil viver ilegalmente no Brasil. ‘‘Meus patrícios me ajudam, mas sempre tenho medo de ser preso e ser desterrado’’, diz.Imigrantes de países asiáticos e do Oriente Médio têm chegado em grande número ao Brasil e também ao Paraná. Em 6 anos, Ministério da
Justiça registrou 18 mil solicitações de vistos de imigrantes dessas regiões. Com a anistia, 6 mil estrageiros devem regularizar a situação no Paraná.
M.Y. é chinês e estava
ilegalmente no Brasil
há 6 anos, usando
documentos do irmão
Boliviano Raul M. diz
que trabalhou por quase
nada até conseguir
emprego com patrícios

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