Imagem ilustrativa da imagem Novas configurações familiares em sala de aula
| Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

O objetivo da Semana da Família, segundo a direção da escola, é trabalhar as diferentes configurações familiares, explicando às crianças que família é quem cuida, dá amor, se faz presente

“Família são como galhos de uma árvore. Todos crescemos em direções diferentes, mas a nossa raiz continua sendo a mesma.” A analogia, expressa em um trabalho realizado com as crianças da escola municipal Professor Moacyr Teixeira, no conjunto Maria Cecília (zona norte de Londrina), lembra que o respeito às particularidades que compõem o universo familiar não implica a perda de sua essência. Durante a Semana da Família, 720 alunos da educação infantil ao quinto ano discutiram o tema e participaram de diversas atividades que tinham a família como foco central, destacando as mudanças ocorridas na sociedade.

“Temos que amar a nossa família e não podemos largar ninguém. Todo mundo tem que ficar junto a vida inteira. Família é muito importante”, disse João Guilherme Martins Prieto, oito anos. “Somos cristãos e para a gente, pai e mãe existem da maneira bíblica. Mas respeitamos e ensinamos nossos filhos a respeitar as diversas formas de família que existem hoje”, disse a mãe, a auxiliar de enfermagem Daniela Martins Prieto.

A Semana da Família faz parte do calendário escolar da rede municipal e cabe a cada escola decidir como o assunto será trabalhado com as crianças. “Decidimos fazer um evento maior sobre família e diversidade. Ao longo da semana, as crianças trabalharam o tema em sala de aula, tivemos atividades para os pais durante a noite e no encerramento da programação da Semana da Família, promovemos um café da manhã coletivo e atividades de biblioteca”, explicou a diretora da escola, Tatiane Dantas da Silva, que no dia 25 convidou os familiares dos alunos para uma grande confraternização, com comes e bebes e sorteios de prêmios.

O objetivo da Semana da Família, conta a diretora, é trabalhar as diferentes configurações familiares, explicando às crianças que família é quem cuida, dá amor, se faz presente. Assim, não importa se a criança é cuidada pelos pais, pelos avós ou outro parente. “Às vezes, a criança tem pai e mãe, mas eles não são presentes”, destacou a diretora.

As professoras trabalham o tema família de diferentes formas: em cartas, cartazes, desenhos, produção de textos. “Eles têm espaço para falar da família deles, contar histórias e adoram. São bastante participativos e também trazem questionamentos”, contou a professora do quarto ano, Laudiléia Lacerda.

“Meu filho e a mãe da minha neta são separados, mas tenho uma relação muito boa com a minha nora. Não temos desavenças, não brigamos. Temos uma convivência muito boa. A separação aconteceu quando a minha neta tinha dois anos, então, ela entende que tem duas casas. Acho importante trabalhar esse assunto dentro da escola porque as famílias hoje estão mudando. Há novas configurações e isso tem que ser explicado às crianças”, disse a empregada doméstica Santina Pedroso de Souza, avó de Jade, de seis anos, aluna da escola.

Sobre as famílias resultantes de uniões homoafetivas, Souza diz respeitar e não esconde da neta a realidade. “Eu respeito e se a Jade pergunta, não posso falar que não existe. Muitas vezes os pais não falam, mas é preciso explicar às crianças.”

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