A instalação de mais uma antena de telefonia em área residencial está revoltando os moradores das proximidades do Aeroporto Gastão Vidigal, em Maringá. A GVT, empresa espelho da Embratel na área de telefonia fixa, aproveitou a falta de sanção de uma lei, para instalar a torre. A lei complementar, aprovada no final de setembro na Câmara, limita as ‘‘estações de rádio base’’ às áreas industriais. Mas ainda não foi sancionada pelo prefeito Jairo Gianoto (PSDB), o que deve acontecer até o final desta semana.
A associação de moradores do bairro está se mobilizando para entrar com uma ação na Justiça, pedindo o embargo da obra. O promotor Manoel Ilecir Heckert, da Promotoria de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Garantias Constitucionais, explica que cabe ação desde que exista um estudo comprovando prejuízo à saúde. Ou um laudo mostrando o risco de queda da torre sobre as residências. Ele diz que as pessoas reclamam muito dos prejuízos com a desvalorização do imóvel, mas no caso não caberia a reclamação.
Para os moradores o que interessa agora é paralisar a obra. ‘‘Caso contrário depois de pronta não vamos conseguir mais nada’’, diz a funcionária pública Fátima Endo, que mora ao lado da torre. Ela afirma que é uma ‘‘falta de respeito’’ o que os responsáveis pela torre estão fazendo. ‘‘Todos sabem que a radiação da telefonia faz mal à saúde, mas colocam as torres dentro do nosso quintal’’, lembra.
O aposentado Francisco Ishi, que mora na casa em frente o local onde a torre está sendo construída, conta que saiu de São Paulo em busca de um local mais calmo. ‘‘Agora vou ter que amargar uma torre na minha frente’’, lamenta. ‘‘Acho que a antena é irregular, tanto que os pedreiros trabalharam o final de semana inteiro’’, conta. O supervisor de montagem, Cledis Correa da Silva, responsável pela obra, diz que a torre está autorizada pelo município.
Ele explica ainda que os pedreiros trabalharam durante todo final de semana, porque a obra está atrasada. ‘‘O local foi escolhido por causa da altura, e não existe risco para a saúde dos moradores’’, garante. Silva afirma que a antena da GVT é de telefonia fixa, e não emite raio na mesma intensidade do sistema celular. ‘‘Quanto a desvalorização dos imóveis isso é coisa dos proprietários, que ficam receosos e vendem terrenos e casas pelo preço que os outros querem pagar’’, diz.
A preocupação com torres de telefonia celular está causando preocupações não só em Maringá, como também em diversas outras cidades do Paraná como Londrina e Curitiba. Em setembro, a Folha a publicou uma série de reportagens mostrando a preocupação dos moradores vizinhos e alertas da Organização Mundial da Saúde.