Nova testemunha compromete Suely
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Paulo Ubiratan 
Os advogados Moisés Godoy, 55 anos, e Elaine Christina Gomes, principais testemunhas da morte da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21 anos, prestaram depoimento ontem à polícia e acrescentaram dois novos fatos às investigações. O primeiro, que Jacqueline foi morta quando retornava para sala, onde havia se refugiado, para apanhar sua bolsa, que tinha esquecido. O segundo fato é o surgimento de uma nova testemunha, que teria visto a dona-de-casa Maria Suely Costa Moura preparar a arma do crime antes de entrar no escritório em que a vítima trabalhava.
Jacqueline Lobo foi morta com um tiro na cabeça, desferido por Maria Suely, ex-mulher do médico ginecologista João Bento Moura Neto, que namorava Jacqueline. Suely invadiu o escritório dos advogados Moisés Godoy e Elaine Christina, onde Jacqueline trabalhava como secretária, na sexta-feira. Durante a confusão, Jacqueline foi atingida por uma coronhada na cabeça e recolhida a uma sala, com ferimentos.
Com a chegada da Polícia Militar ao local, ela teria saído da sala e passado onde estava Maria Suely, que neste momento ameaçava se suicidar. Segundo Elaine, o tiro fatal teria ocorrido quando Jacqueline estava voltando para pegar a bolsa. A advogada afirma que ela só saiu da sala após os PMs confirmarem da outra sala, onde se encontrava Suely, que a situação estava sob controle.
A terceira testemunha apontada pelos advogados foi identificada apenas por Júnior. Ele teria garantido à advogada Elaine que viu Suely apontar a arma para Jacqueline, acionar o gatilho e a arma engasgar. O escritório dos advogados fica em frente à sala onde Júnior trabalha, no edifício Mônaco (rua Piauí, área central da Cidade). A testemunha deverá ser ouvida amanhã (o horário não havia sido definido até a tarde de ontem) pelo delegado do 1º Distrito Policial, Antônio do Carmo, que está presidindo o inquérito policial.
Ainda de acordo com os depoimentos de Godoy e Elaine, o ex-marido de Maria Suely havia estado no local meia hora antes do crime para entregar doces a Jacqueline. Os depoimentos demoraram cerca de cinco horas e foram bastante semelhantes. A advogada Elaine disse que foram momentos de terror. Enfatizou ainda que em determinado momento, quando levava a secretária para outra sala, ouviu de Suely: Não adianta proteção; vou matar esta mulher.
O advogado Moisés Godoy disse que, enquanto estava na outra sala, dando abrigo a Jacqueline, ouviu um disparo da pistola contra a porta. O tiro ricocheteou e atingiu o teto. Ele disse que não viu a secretária ser atingida, mas confirma que na outra sala policiais tentavam conter Maria Suely.


