Milton DóriaDe volta à praçaO taxista e servidor aposentado Joaquim Betti, que fez a operação: ‘Estou enxergando bem melhor’Londrina já conta com a mais recente inovação em técnica cirúrgica para correção da catarata. É o implante de lente intra-ocular dobrável, procedimento comum nos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba ou Belo Horizonte. A lente dobrável está sendo usada em Londrina desde julho deste ano por uma equipe de médicos oftalmologistas formada por Paulo Tomimatsu, João Angelo Paccola, Aristeu Sampaio Neto e Wladimir Kawagoe. A grande vantagem em relação às outras técnicas é a exposição menor aos riscos de uma cirurgia, já que a incisão é bem menor, além da recuperação, que acontece de maneira mais fácil e rápida.
A lente dobrável é instalada através de uma técnica chamada facoemulsificação. Ela consiste em uma pequena incisão de aproximadamente 3,5 milímetros para introdução de uma sonda de ultra-som que vai fragmentar o cristalino (lente natural da visão responsável pelo foco da imagem). No lugar do cristalino será colocada a lente dobrada, que será aberta depois de instalada, segundo explica o médico Paulo Tomimatsu, que tem mestrado e doutorado pela Escola Paulista de Medicina.
Milton DóriaMétodo modernoO médico Tomimatsu: implante de lente dobrável é fácil e seguro
O corte desta nova técnica é bem menor que a incisão usada nos outros procedimentos, quando o corte tem cerca de 10 milímetros. A lente dobrável é fabricada nos Estados Unidos e Europa e, por isso, o custo da cirurgia é cerca de 40% maior em relação às outras técnicas.
Em Londrina, a cirurgia está sendo realizada no Hospital Mater Dei e o paciente não precisa ficar internado. O período de permanência no hospital é de apenas algumas horas. O tempo de recuperação, lembra Paulo Tomimatsu, cai para menos da metade quando comparado à técnica normalmente utilizada. Com o novo procedimento, são aproximadamente 15 dias de recuperação. No outro caso, a recuperação total do paciente demora cerca de um mês e meio.
A catarata, explica o médico, acomete principalmente pessoas idosas. A doença se dá quando o cristalino começa a ficar opaco, limitando a visão do indivíduo. Quando não é tratada, a doença pode levar à cegueira. ‘‘Mas hoje é muito difícil alguém ficar cego devido à catarata, porque as pessoas já estão mais informadas sobre a doença e procurando tratamento’’, diz Paulo Tomimatsu.
Segundo ele, o Sistema Único de Saúde cobre o custo da cirurgia de catarata com as lentes comuns. No caso das lentes dobráveis, o SUS ainda não paga. Mas alguns convênios já arcam com o pagamento, lembra o oftalmologista.
Na opinião do servidor público aposentado Joaquim Betti, 62 anos, vale a pena pagar um pouco mais caro pela lente dobrável. ‘‘Eu não senti nada. Dor nenhuma. Não precisei nem tomar remédio depois da operação’’, comemora. Ele trabalhava como taxista e há cerca de dois meses parou de dirigir por causa da catarata. ‘‘Mas acho que na semana que vem vai dar para voltar a trabalhar com o táxi’’, comenta.
Ele foi submetido a cirurgia do olho direito na última segunda-feira e, quando trocou o curativo, na terça-feira, já notou resultados positivos. ‘‘Estou enxergando bem melhor’’, admite. Ele explica que a operação demorou cerca de 50 minutos e foi realizada com anestesia local.
A advogada Regina Márcia Mello de Paula, 34 anos, sofre de catarata congênita. Operou a vista direita no dia 20 de outubro e se prepara para voltar a trabalhar na Telepar em Londrina. Como precisa ler bastante, terá que ficar 25 dias afastada do emprego. Mas pode dirigir e fazer outras atividades. Ela conta que, como a incisão foi pequena, levou apenas um ponto. ‘‘A cirurgia foi muito tranquila. Não tive dores nem no dia da operação.’’

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