Nova técnica dá um filho a casal
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para Folha 
Nasceu às 13 horas de anteontem, no Hospital Evangélico de Londrina, a menina Raquel Borges de Abreu, primeira da cidade concebida através da técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI). O método, considerado recente começou a ser utilizado por especialistas belgas no começo dos anos 90 , foi a única solução para a mãe, Edna Borges de Abreu, de 40 anos, que teve as trompas retiradas quando tinha 20 anos, por causa de uma infecção.
Eu nunca perdi a esperança de ter um filho, mas não dá para descrever a emoção, disse, olhando para a filha que nasceu no Dia das Mães, com 3,2 quilos e 46 centímetros.
O médico Renato Koike, especialista em reprodução humana, explicou que o procedimento, de alta complexidade, consiste em introduzir um único espermatozóide no interior de um óvulo, com o auxílio de uma micropipeta.
As chances de concepção são de 20 a 40%. Por um período de 3 a 5 dias, verifica-se a ocorrência de fertilização, na incubadora, para depois transferir o embrião ao útero. Na técnica de fertilização in vitro os espermatozóides são colocados próximos ao óvulo, para fecundá-lo espontaneamente, de modo que as chances ficam reduzidas para 20 a 30%, explica.
O médico esclarece ainda que em uma relação sexual normal, em condições normais de saúde do casal, a chance da mulher ficar grávida é de 18% ao mês, e utilizando a técnica de inseminação artificial, de 15 a 20%.
A técnica ICSI é indicada para casos em que o homem tem baixa produção de espermatozóides ou fez vasectomia, além dos casos em que a mulher tem baixa produção de óvulos, disfunção hormonal ou até quando já entrou na menopausa. A maioria dos casos de infertilidade pode ser revertida, explica Koike. Com a técnica ICSI há um melhor aproveitamento do óvulo e do espermatozóide, por isso pode ser considerada uma revolução na área, afirma.
O policial militar Elmes Evangelista de Abreu, de 36 anos, pai de Raquel, conta que estava conformado com a situação da mulher, mas sempre quis ter filhos.
Casado há 11 anos, Elmes de Abreu conta que não haviam procurado outro método antes por falta de conhecimento. Achávamos que era muito caro e complicado, mas o tratamento da Edna durou dois meses, diz.
Koike explica que o tratamento com a técnica ICSI pode custar de R$ 2,5 mil a R$ 10 mil, com duração de 45 dias, em média. Nos próximos meses, informa o médico, pelo menos 10 outros bebês deverão nascer em Londrina, concebidos através da mesma técnica.


