Vivian de Albuquerque
A Associação dos Lojistas da Rua das Flores está insatisfeita com a lentidão do processo de revitalização da Rua XV de Novembro e começa a pensar em soluções alternativas para minimizar os problemas. Na semana passada, o único módulo policial da região, localizado na Praça Osório, foi demolido pela própria Polícia Militar, que alegou falta de segurança para os soldados, com uma estrutura deficiente e antiquada. Sem uma iluminação mais adequada, as lojas estão tendo que fechar portas e vitrines já a partir das sete horas da noite.
Problemas que se tornam ainda mais complicados com o adiamento do projeto de revitalização urbanística da rua. Prevista para ser iniciada ainda neste mês, a obra foi prorrogada para janeiro do ano 2000.
‘‘Estamos pensando em ajudar na alimentação e no uso de sanitários pelos soldados’’, explica Jacques Rigler, proprietário do McDonald’s da XV e também presidente da associação de lojistas.‘‘Mas para isso queremos que o efetivo deles seja maior e também que alguém sempre nos indique quem são e como estarão fazendo o trabalho’’. Foram os próprios lojistas que pediram o adiamento da revitalização, temendo transtornos para os consumidores, tanto no período do Natal, quanto no mês de setembro, para quando está previsto um grande evento da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (ABAV) na cidade.
‘‘O projeto foi remodelado e apresentado para a associação na sexta-feira passada’’, conta Rigler. ‘‘Por causa da situação econômica atual a prefeitura teve que cortar algumas obras, e nós, em troca, propusemos outras. O que não queremos é que elas fiquem apenas nas promessas’’.
A proposta original elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) prevê desde um melhor sistema de drenagem do calçadão, até a estruturação de um espaço para a Orquestra de Câmara de Curitiba e a instalação de câmeras de vídeo para o monitoramento de assaltos na região, além da construção de um novo posto de polícia. Os lojistas pretendem acrescentar o plantio de flores nas marquises das lojas, desde que elas sejam valorizadas por novos bancos e postes de iluminação.‘‘São coisas que deverão atrair o turista para cᒒ, esclarece o proprietário do McDonald’s. ‘‘Hoje em dia, os próprios motoristas de táxi não recomendam a Rua das Flores ao turista. Problema que fica mais sério por causa da falta de um policiamente mais permanente e efetivo’’.
Para exemplificar o empresário cita como exemplo a cidade de Florianópolis, no estado vizinho de Santa Catarina. ‘‘Lá, eles têm um plano que chamam de Crime Zero. Ao invés de apenas controlar o crime, eles o previnem, dando a garantia aos turistas e moradores da cidade, de que nada vai acontecer no calçadão’’, conta ele. Na opinião do presidente da Associação de Lojistas da Rua das Flores, é necessário um elemento catalisador que una a prefeitura, o governo do Estado e as polícias Civil e Militar, para garantir a revitalização e a segurança de todo o centro da cidade.

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