Ontem de manhã, durante os eventos sobre sexualidade masculina, o médico especialista em Reprodução Humana, Elsimar Coutinho, proferiu conferência sobre ‘‘A Pílula Masculina’’. Criada por ele, a medicação promete modificar o comportamento do homem, dando a ele meios mais eficazes para participar da decisão de ter ou não um filho. Até hoje, a maioria dos métodos contraceptivos estavam quase que exclusivamente sob responsabilidade da mulher - a exceção da camisinha e da vasectomia.
A ‘‘pílula do homem’’ é feita com glossipol, substância natural retirada do algodão. Ela age sobre a espermatogênese reduzindo a produção de espermatozóides a zero. No algodão, o glossipol é produzido pela planta como forma de defesa contra o avanço das pragas - quando o inseto pica a semente ele absorve a substância e fica estéril.
Coutinho confirma que a utilização do medicamento por um prazo muito longo leva à esterilidade. ‘‘Antes de receitar a pílula, o médico terá de esclarecer muito bem o seu paciente sobre as consequências de não respeitar as indicações do medicamento’’, alerta. A indicação é para que o homem utilize a pílula durante um ano, suspendendo o uso por três meses para recuperar a capacidade de produzir espermatozóides. ‘‘Com as devidas interrupções o medicamento é seguro’’, garante.
A utilização do glossipol como anticoncepcional, diz, já é conhecida em vários países. Como a substância é natural, Coutinho precisou desenvolver um processo para permitir a conservação dela para viabilizar a sua comercialização em grande escala. A pílula do homem ainda não foi registrada no Ministério da Saúde, e só deverá estar no mercado no início do ano que vem. (C.B.)

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