Lucinéia Parra
De Maringá
Entre todas as pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Stévia foi a que projetou a instituição nacionalmente e internacionalmente. Amplamente divulgada em 1980, a pesquisa conseguiu isolar um dos princípios ativos da folha da Stévia – o steviosídeo, que é 300 vezes mais doce que o açúcar. Surgia, então, um adoçante 100% natural, classificada como a grande descoberta da década.
A comercialização do produto foi possível através da holding Ingá Companhia Desenvolvimento Industrial, que criou a empresa Ingá Stévia Industrial. A própria holding foi criada na época da descoberta e era formada por empresários, professores e representantes de diversos setores. A transferência de tecnologia de produção do adoçante para a iniciativa privada foi feita diante da grande expectativa do momento em torno de um produto 100% natural.
O resultado final, entretanto, acabou frustando a expectativa de comercialização. Mesmo sendo 300 vezes mais doce que o açúcar, o steviosídeo apresentava um gosto amargo que não foi eliminado no processo de industrialização do adoçante, que não agradou o consumidor. O produto foi praticamente ignorado pelas empresas alimentícias.
A holding foi extinta e a Ingá Stévia Industrial deu origem, em 1988 a Stévia Farma Industrial S.A.. Atualmente, a Stévia Farma produz o Stevita, adoçante 100% natural a base do steviosídeo. Segundo o diretor da empresa, Fernando Meneguetti, o produto hoje disponível no mercado não tem nada a ver com o produto criado em 1980 pela UEM.
Ele explica que a partir de 1993, a empresa desenvolveu uma pesquisa no laboratório interno e conseguiu eliminar o gosto amargo proveniente do steviosídeo. ‘‘O gosto amargo existia por causa de um problema de extração. Agora conseguimos aprimorar a técnica e o amargo não existe mais’’, garante. Hoje, segundo Meneguetti, o Stevita está sendo comercializado nos grandes supermercados do País. Atualmente, a empresa produz 300 quilos/dia do adoçante, o que representa apenas 10% de sua capacidade diária de industrialização.
A Stévia Farma, conforme Meneguetti, está com dificuldade de produção em grande escala pela falta da planta. Por causa do longo período sem comercialização – de 1988 a 1993 – muitos agricultores que tinham apostado no plantio da stévia desistiram da cultura e hoje o principal desafio da empresa é convencê-los a cultivar novamente a planta.
Para que a empresa possa trabalhar oito horas por dia e produzir o total de sua capacidade, seria necessário um total de folhas plantadas em 300 hectares. Entretanto, a stévia só está sendo cultivada em 80 hectares no sul do País. ‘‘Estamos fazendo um trabalho com as vilas rurais de todo Paraná, porque o plantio da stévia deve ser feito em pequenas propriedades, já que o seu processo de colheita é todo manual.
Apesar da garantia do empresário de que a Stevita é um produto aprimorado e não apresenta o gosto amargo acentuado do steviosídeo, a UEM iniciou há aproximadamente três anos uma nova pesquisa com a planta da stévia. Desta vez, os pesquisadores isolaram outro princípio ativo da planta: o rebaudiosídeo, que é 400 vezes mais doce que o açúcar. O problema é que o rebaudiosídeo aparece em menor quantidade na planta. Para se ter uma idéia, entre os 7% e 10% de princípios ativos existentes na planta, 85% são de steviosídeo.
De acordo com o empresário Amauri César Cruz Couto, dono da Lightsweet Indústria e Comércio de Alimentos, na primeira fase de pesquisa da stévia, em 1980, o que se valorizou foi a descoberta de um educorante 100% natural e muito mais doce que o açúcar. Hoje, explica ele, nesta nova etapa da pesquisa, o que se pretende é aprimorar o processo tecnológico, cuja preocupação maior é com a qualidade da planta. ‘‘A idéia dos pesquisadores é conseguir uma planta de melhor qualidade, que possa permitir a extração em maior escala do rebaudiosídeo.’’ Couto foi professor da UEM e participou da primeira fase da pesquisa com a stévia, como coordenador da parte de engenharia química.
Atualmente, a Lightsweet produz o adoçante Lowçucar, que é composto pelo steviosídeo e um mix de diversos educarantes artificiais como a sacarina, aspartame e ciclamato de sódio. A empresa também industrializa o adoçante In Natura, recém lançado no mercado pelo apresentador de TV, Carlos Roberto Massa, o Ratinho. O adoçante In Natura tem os mesmos componentes do Lowçucar e segundo Couto, é uma opção para o consumidor como um produto parcialmente natural.

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