Nova pesquisa confirma contaminação
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sexta-feira, 02 de março de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Pesquisadoras do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão analisando há dois anos os efeitos da exposição de seres humanos e o meio ambiente aos resíduos de chumbo deixados pela mineradora Plumbum do Brasil no município de Adrianópolis (133 km ao norte de Curitiba). Ainda com dados parciais, a pesquisa mostra que as principais vítimas do chumbo são as pessoas que moram nas proximidades da empresa, desativada há seis anos.
O trabalho é paralelo à pesquisa feita por nutricionistas da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) desde o ano passado com crianças expostas a resíduos de chumbo em Adrianópolis. A Plumbum foi fechada em 1996, mas nas proximidades da usina ainda existem toneladas de resíduos do processamento do minério, chamado de escória.
Uma das integrantes do grupo da Unicamp, Monica Bastos Paolielo, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que a área analisada não está restrita apenas a Adrianópolis, mas a outras regiões do Vale do Ribeira. No ano passado foram coletadas amostras de sangue de 700 pessoas das áreas urbana e rural dos municípios de Adrianópolis, Ribeira e Iporanga os dois últimos no Estado de São Paulo.
Resultados preliminares apontam que as populações urbanas dos três municípios não apresentam índices elevados de chumbo no sangue. As populações rurais de Ribeira e Iporanga, que ficam distantes da usina da Plumbum, também não estão contaminadas pelo metal. Só mesmo nas populações de vilas rurais próximas à usina, como Vila Mota e Capelinha, onde vivem 1,2 mil pessoas, houve registro de elevação de chumbo no sangue.
Na população rural de Iporanga, o índice médio de chumbo no sangue ficou em 3,5 microgramas por decilitro. Na Vila Mota, o índice médio entre crianças e adultos foi de 11,7 microgramas por decilitro. Em crianças, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula como nível máximo 10 microgramas por decilitro. No caso de adultos, não há um limite máximo. Mas em estudo anterior com população de referência no Paraná (pessoas que não entraram em contato com mineração de chumbo), o índice médio ficou em 7 microgramas por decilitro de sangue.
O interessante é que as pessoas que moram próximas às antigas minas de chumbo não apresentam contaminação, só mesmo naqueles que vivem próximos da usina onde era processado o metal é que estão contaminados, conta Monica. Só depois que a pesquisa estiver concluída é que poderemos propor soluções para o meio ambiente, explica.
Monica desenvolve o trabalho de doutorado em parceria com a geóloga Fernanda da Cunha, que faz doutorado no Instituto Geológico da Unicamp. Elas fizeram análise da água de mananciais da região e constataram que os índices de chumbo registrados estão dentro da normalidade. Até o próximo mês estarão concluídos os exames de solo e do resíduo de chumbo que está armazenado na Vila Mota.


