Nova organização vai trabalhar na prevenção de Aids
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A Rede Paranaense de Ativismo e Cidadania (Repaci), voltada para o controle e prevenção de DST/Aids, foi instalada ontem à tarde em reunião realizada na Câmara de Londrina com a presença de 150 pessoas, representando 50 entidades paranaenses. A organização começa a funcionar com boas perspectivas para 2003. No ano que vem, segundo o coordenador-adjunto do Programa DST/Aids no país, Raldo Bonifácio da Costa Filho, que esteve em Londrina para o evento, estão previstos nesta área, através do Plano de Ações e Metas (PAM), R$ 1,4 milhão para o Paraná, dos quais R$ 313.728,00 para Londrina.
Além disso, de acordo com o representante do Ministério da Saúde, outros R$ 563 mil são destinados somente para a sociedade civil, da qual a Repaci é integrante. ''A rede é fundamental porque a partir de 2003 todas as ações de prevenção e tratamento do HIV/Aids serão financiadas por este fundo nacional'', explica o coordenador geral da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Roni Lima. Até agora, para o repasse de verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) eram necessários encaminhamento e aprovação de projetos. ''A destinação de recursos passará a fazer parte do SUS (Sistema Único de Saúde) e será contínua'', esclarece Costa Filho.
Este ano, em Londrina, foram registrados 90 novos casos de pessoas portadoras de HIV, dos quais 50 homens e 40 mulheres. Ao todo, no último levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, 685 pessoas convivem hoje com o HIV/Aids. Deste número, segundo a coordenadora do Programa DST/Aids em Londrina, Rosângela Menezes Alvanhan, 498 estão com a doença e 187 são soropositivos. ''Londrina está acompanhando a tendência nacional de aumento do número de mulheres infectadas''. Atualmente, para cada mulher infectada, existe 1,7 homem. Há alguns anos, esta relação era de três homens para cada uma mulher.
A Repaci já surge com 144 pessoas, que vivem e convivem com Aids, treinadas em 18 municípios do Paraná. ''Muitos deixaram de ser vítimas da Aids e passaram a compor um grupo de controle social, interlocutor das populações marginalizadas'', revelou Lima. A ativista Silvana Gomes dos Santos disse que todos os interessados passam por um curso de 12 dias. Segundo ela, os ativistas aprendem desde ouvir o outro até conhecer dados sobre DST/Aids/HIV, gênero, vulnerabilidade, controle social e SUS. '' Eles saberão como usar o SUS e como brigar pelos seus direitos'', defendeu Silvana.


