NOVA LONDRINA - O homem que fundou a cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Wilhan Santin 
Aos 82 anos, Evaldir Bordin, um catarinense do lugarejo de Rio Uruguai que chegou a Londrina em 1936, quando a cidade contava apenas um ano de sua emancipação, começa a entrevista à FOLHA dizendo que olha para trás e ''se sente orgulhoso de ter participado da história de colonização de uma terra tão fértil, da qual brotaram municípios hoje muito prósperos, impulsionados pela experiência colonizadora da Companhia de Terras Norte do Paraná.''
Porém, o rapaz empreendedor acabaria construindo história também na porção Noroeste do Paraná, onde o solo é mais arenoso, fora dos domínios da Companhia.
Deixando Londrina no começo da juventude para cursar Engenharia na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, ele abandonaria a faculdade no terceiro ano. Durante um fim de semana de folga, em um baile de São João, viu uma moça com chapéu de aba decorado com uma margarida. Na mesma hora decidiu que era com ela que queria se casar. Assim aconteceu, com Dora se rendendo aos cortejos do rapaz muito educado e gentil. Há 56 anos eles subiram no altar. Assim, Evaldir interrompeu os estudos para virar sócio do pai, Fioravante - o primeiro presidente do Londrina Esporte Clube - nas fazendas de Café.
Em 1950, recebeu a missão do pai de dar uma força para uns ''meio-primos'' que haviam adquirido uma gleba no Noroeste. Foi além, acabou virando sócio de Silvestre Dresch, Leopoldo Lauro Bender e Armando Valentin Chiamulera. Nascia a Imobiliária Nova Londrina, empresa que colonizaria 30 alqueires de terra e construiria uma cidade. ''Como todos éramos londrinenses, decidimos fazer uma Nova Londrina. Assim surgiu o nome do município'', relata Bordin, o único ainda vivo dos quatro colonizadores.
Rapidamente todos os lotes urbanos e rurais foram vendidos. ''Deu certo porque fizemos com muito capricho e carinho, afinal a cidade levava nada menos do que o nome da progressista Londrina, então tinha que ser bela. Doamos área para um bom hospital, para a igreja, praças. Fizemos até uma pequena hidrelétrica no Rio Tigre para que, em plena década de 1950, tudo fosse iluminado'', destaca o pioneiro.
Naquele tempo surgiu também no meio da mata um campo de aviação. Voando era a melhor forma de chegar até a cidadezinha que nascia. Quando podia usar o meio aéreo, Bordin contava com a pilotagem de Wilson Silva, que era repórter da FOLHA. Quando tinha que ir por terra, usava uma Land Rover para vencer, em oito horas por estradas de terra, os 245 km que separam de Londrina de sua ''filha''.
Hoje, Nova Londrina tem 12,8 mil habitantes e conta com bons acessos asfaltados pela BR-376 ou pela PR-182. Suas terras vão até o Rio Paranapanena, na divisa com São Paulo. Pelos 60 anos de emancipação foi feito até um livro, ''Nova Londrina, a rainha do Noroeste'', de autoria do historiador Osmar Fernandes.
Em seu apartamento no Centro de Londrina, Evaldir e Dora - pais de Evaldir Filho, Dora Lúcia e Patrícia - vivem felizes, fazendo declarações de amor um para o outro, como se estivessem começando um namoro. Construíram uma boa história.


