A Resolução 33 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina novas metodologias para gerenciar e armazenar resíduos gerados pelos serviços de saúde do País, foi o tema principal do 1º Encontro de Saúde Ambiental do Norte do Paraná, realizado ontem em Londrina. Para especialistas que atuam no setor há mais de 20 anos, 80% do lixo hospitalar serão melhor destinados com a nova lei.
A nova legislação foi publicada no Diário Oficial em março deste ano, mas vinha sendo discutida desde 1999. O documento detalha o gerenciamento dos resíduos, seja ele reciclável ou não. ''A Resolução já era esperada, mas ainda assim pegou muita gente de surpresa. Temos que pensar que as determinações podem solucionar boa parte dos problemas encontrados em hospitais, consultórios, clínicas odontológicas e até veterinárias. Para melhorar índices de reciclagem precisamos saber o que pode ser reciclável e isto é apresentado neste texto'', explicou o professor da Estola Paulista de Medicina (Unifesp), doutor Edwal Campo Rodrigues. Ele já dedicou 20 dos 56 anos pesquisando resíduos do serviço de saúde.
Especificamente sobre o lixo hospitalar, Rodrigues afirma que entre 20% e 30% do material não pode ser reciclado e precisa passar por um tratamento especial. Dos 70% a 80% restantes, pelo menos 25% podem passar por um processo de reciclagem. ''Temos muitos materiais que não entram em contato com doentes, desde uma caixa de papelão até recipientes de soro. Também temos que pensar no encaminhamento correto do material (com resíduos) para o lixão'', afirmou.
O secretário Estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, elogiou as novas diretrizes apontadas pela Anvisa. ''Precisamos reestabelecer as metas, tanto que propomos reduzir ou reaproveitar (até 2006) 20% do lixo do Estado, totalizando oito mil toneladas/dia'', anunciou.
O evento, realizado no Hotel Sumatra, contou com cerca de 500 profissionais de saúde. Rodrigues que também trabalha no Hospital da Beneficiência Portuguesa admitiu que os hospitais terão que investir para seguir as regras da Resolução. Mas insistiu que os gastos serão compensados no futuro, com o ''dinheiro conseguido com a reciclagem. O que não se resolve ecologicamente não se resolve economicamente'', filosofou o doutor paulistano.

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