Nova lei seria para pobre doar
Curitiba - A assistente social da Central Estadual de Transplantes do Paraná, Glaucia Repula, discorda das condições previstas pelo projeto de lei que pretende criar um Crematório Municipal, que atenderia gratuitamente doadores de órgãos. Apesar de reconhecer a boa intenção da proposta, ela acredita que a medida seria também uma forma de "compra", de convencimento das pessoas sobre a doação de órgãos. "Essa seria uma lei para pobre doar, algo feito em troca de recursos", disse.
Ela questiona ainda que o serviço público não poderia realizar esse tipo de distinção. "Tratando-se de doação, a gente não pode vincular nada. Neste caso, de um crematório público, o serviço deveria atender a todos, sem qualquer distinção", disse.
Para a assistente social, o que precisa ser combatido são os fatores de dificuldade de captação dos órgãos. Para ela, o principal obstáculo ainda é a falta de informação das pessoas. "A doação de órgãos tem que ser livre e consciente, é mais importante trabalhar a conscientização das pessoas", diz. O segundo maior fator de dificuldade seria a informação da condição de doador às famílias. Ela diz que quem deseja ser doador precisa informar aos parentes de sua decisão, o que pode facilitar a autorização do procedimento.
Além das pessoas, os hospitais ainda precisariam assumir outros compromissos, de acordo com a assistente social. "É necessário que eles notifiquem os casos de possíveis doadores", afirmou. Além da notificação, cada hospital deve também manter uma equipe preparada para tratar do assunto com as famílias, o que seria inclusive previsto em lei. (K.L.M.)





