Nova lei de zoneamento deve continuar valorizando pedestre
Israel Reinstein
De Curitiba
O presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Nazareno Sposito Affonso, entende que Curitiba deve continuar valorizando o pedestre na sua nova lei de zoneamento e uso de solo. Para ele, a cidade precisa manter a construção de áreas exclusivas para pedestres em suas diretrizes urbanas.
Hoje essa questão é um dilema nas grandes e médias cidades brasileiras, que começam a sofrer com o congestionamento e altos índices de acidentes de trânsito, avalia Affonso, que esteve em Curitiba, participando de um seminário sobre meio ambiente e transporte. Ele considera que está acontecendo um esgotamento nas cidades, porque está se priorizando o automóvel a qualidade de vida.
Não existe uma política federal de estímulo ao transporte público ou solidário, que reduza os automóveis nas ruas das cidades, afirma. Segundo ele, o que funciona no País é um lobby do setor automotivo, que trabalha pela venda de carros.
De acordo com a ANPT, 80% do sistema viário são ocupados por carros. Mas, na média nacional, eles transportam apenas 30% das pessoas, diz. Os outros 70% são divididos pelo transporte coletivo (40%) e pedestre (30%). E, por causa disso, a velocidade de mobilidade começa a cair a ponto de, em cidades como São Paulo, chegar ao mesmo valor de um deslocamento a pé, afirma.
Algumas medidas simples podem reverter esse processo, diz. O estímulo ao transporte coletivo e o solidário (dar carona aos colegas de trabalho ou escola) são ações que o usuário comum pode adotar. Na área urbana, a criação de um fundo de transportes pode estimular a implementação de metrô e canaletas exclusivas de ônibus, afirma.
Para o professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Ricardo Bertin, participante do seminário, as melhorias do transporte urbano é um trabalho de longo prazo. Com relação a Curitiba, ele acredita que as mudanças precisam ser feitas em paralelo com a alteração da lei de zoneamento.





